O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se tornou centro de uma nova polêmica ao trocar farpas com o Papa Leão XIV, a quem chamou de fraco. O movimento, que ocorre em meio ao avanço da Casa Branca ao Irã, coloca o chefe de Estado em condição já vista na história geopolítica.
Ao longo da história, outros líderes políticos colecionaram conflitos com a Igreja Católica em épocas de tensão política. Exemplos mais recentes, por exemplo, apontam que Adolf Hitler e Napoleão tiveram posições consideradas polêmicas.
Não tenho medo do governo Trump
O gesto de Napoleão
Ao tomar posse como imperador da França, no ano de 1804, o líder militar Napoleão Bonaparte fez um gesto que simbolizou uma ruptura com a influência exercida pela igreja católica no cenário geopolítico.
Rejeitando a tradição, Napoleão tomou a coroa das mãos do Papa Pio VII e se autocoroou imperador. O ato foi entendido com uma separação entre Igreja e Estado.
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Antes disso, em 1801, Napoleão havia sinalizado uma aproximação com a igreja, por meio da Concordata, um acordo que estabelecia novamente o catolicismo como religião da maioria dos franceses.
Em 1809, a tensão entre Napoleão e Pio VII ganhou novos contornos, quando o 'Santo Padre', como é conhecido o papa católico, foi preso e viveu de maneira forçada na França até 1814.
Hitler e Papa Pio XII
O ditador nazista Adolf Hitler, uma das figuras políticas mais temidas do século XX, conhecido por perseguir minorias e etnias consideras inferiores por seu regime, do ponto de vista genético, também teve embates com a Igreja Católica e o Papa Pio XII.
Apontado por alguns por como 'conivente' com o regime nazista, por ter adotado um suposto silêncio com relação aos campos de concentração que prendiam e exterminavam judeus.
A única menção pública de Pio, de maneira distante, ocorreu no Natal de 1942, quando o pontífice falou sobre uma "aniquilação progressiva".

"Este voto (a favor de um mundo mais justo) a humanidade deve às centenas de milhares de pessoas que, sem culpa própria, às vezes apenas por razões de nacionalidade ou raça, se encontram destinadas à morte ou a uma aniquilação progressiva", afirmou em discurso na rádio.
Ordem de sequestro
A desconfiança de Hitler sobre a existência de uma linha de contato entre Pio XII e padres, com margem para a possibilidade de uma 'força-tarefa' que liberou 15 mil judeus, fez com que o regime nazista elaborasse um plano de sequestro do pontífice.
Documentos apontam, no entanto, que o Vaticano já monitorava, desde 1941, um possível risco de avanço de Hitler e seus comandados ao território.
O sequestro, imposto por Hitler, mas desconsiderado pelo ex-general Karl Friedrich Otto Wolff, deveria ter acontecido em 1944. O papa seria levado para Liechtenstein.

O historiador Murilo Mello apontou similaridades entre as posturas de Trump e Hitler, destacando, entretanto, que as duas situações ocorreram em contextos diferentes.
"Tem muitas similaridades, do ponto de vista dos dois casos. Existiram questões políticas, falas [...] Assim como Hitler e Papa Pio XII entraram em desavenças, Hitler acreditava que o papa colaborava com os inimigos do nazismo, ele arquitetou um plano de sequestro do papa [...] A relação de Trump com o Papa Leão também está estremecida", destacou o historiador.
"Tem similaridades, porque as duas existiram entreveros entre um líder político e a figura do papa, e tem diferenças, o contexto é diferente. A gente não está mais vivendo o nazismo, os regimes totalitários, o Ocidente, a maioria dos países está vivendo um período de democracia [...] O mundo é diferente", explicou Murilo Mello.
Papa Leão responde
Em entrevista, nesta segunda, 13, o Papa XIV respondeu aos ataques iniciados por Trump, afirmando não ter medo do presidente americano. O pontífice é nascido nos Estados Unidos.
"Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho, e lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje. Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível”, disparou o Papa, que completou.
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