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Vala comum revela massacre de mulheres e meninas há quase 3 mil anos

Estudo arqueológico indica que vítimas foram escolhidas estrategicamente

Isabela Cardoso

Por Isabela Cardoso

09/03/2026 - 21:54 h

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Gomolava e o rio Sava
Gomolava e o rio Sava -

Uma vala comum descoberta no sítio arqueológico de Gomolava, na atual Sérvia, está ajudando pesquisadores a compreender melhor a dinâmica da violência na pré-história europeia. O local abriga restos mortais de 77 pessoas que viveram há cerca de 2.850 anos.

A análise recente dos ossos revelou um detalhe que chamou a atenção dos cientistas: a maioria das vítimas era formada por mulheres e meninas, o que sugere que elas podem ter sido alvo deliberado do massacre.

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O estudo foi conduzido por especialistas em arqueologia e osteoarqueologia, incluindo o pesquisador Barry Molloy, da University College Dublin, e Linda Fibiger, da Universidade de Edimburgo.

Descoberta desafia teorias antigas

O sítio arqueológico de Gomolava foi escavado pela primeira vez em 1971. Inicialmente, pesquisadores acreditavam que as mortes poderiam ter sido causadas por uma epidemia que teria atingido um único assentamento.

No entanto, análises genéticas e isotópicas recentes descartaram essa hipótese.

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Os resultados indicam que as vítimas vieram de diferentes comunidades da região, e não de um único grupo. Entre todas as pessoas encontradas na vala comum, apenas uma relação familiar direta foi identificada: uma mãe e suas duas filhas.

Evidências apontam para execução violenta

Os estudos também trouxeram detalhes sobre como ocorreu o massacre. Entre as principais conclusões dos pesquisadores estão:

  • as vítimas morreram principalmente após golpes na cabeça;
  • os corpos foram colocados em uma antiga casa subterrânea de uma pequena aldeia;
  • apesar da violência, os mortos foram sepultados com objetos pessoais e oferendas;
  • análises dentárias indicam número muito maior de meninas entre as crianças.

Esse último aspecto surpreendeu os arqueólogos. Em muitas descobertas semelhantes, mulheres jovens e crianças costumam aparecer em menor número, possivelmente porque eram capturadas como escravas ou utilizadas para reprodução. Em Gomolava, porém, o padrão foi invertido.

1. Mapa mostrando a localização de Gomolava / 2. Reconstrução do evento funerário
1. Mapa mostrando a localização de Gomolava / 2. Reconstrução do evento funerário | Foto: Reprodução

Massacre pode ter sido estratégia de poder

Segundo os cientistas, a escolha das vítimas pode indicar uma estratégia de violência voltada à eliminação de linhagens familiares e ao enfraquecimento de comunidades rivais. Entre os possíveis motivos para o ataque estão vingança, rivalidades locais ou disputas por território.

A pesquisa sugere que diferentes grupos competiam pelo controle de terras na região, e que ataques desse tipo poderiam servir para afirmar domínio ou hegemonia.

Violência fazia parte das disputas antigas

Os pesquisadores também destacam que, em sociedades sem sistemas jurídicos formais, a capacidade de exercer força podia funcionar como um mecanismo de dissuasão. Nesse contexto, conflitos violentos eram uma forma extrema, mas presente, de resolver disputas entre grupos.

Para os especialistas, estudar episódios como o ocorrido em Gomolava ajuda a compreender não apenas a brutalidade desses eventos, mas também como sociedades antigas lidavam com poder, território e sobrevivência.

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Tags:

arqueologia Ciência história

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