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Entre o luto e a glória: como Back in Black se tornou o segundo álbum mais vendido da história

Clássico do hard rock transformou dor em sucesso e entrou para a história da música

Luan Julião
Por
Álbum que começou como uma despedida se transformou em um marco eterno da música
Álbum que começou como uma despedida se transformou em um marco eterno da música

Poucos discos na história da música carregam uma história tão pesada antes mesmo de sua primeira nota tocar. “Back in Black”, lançado em 25 de julho de 1980, não nasceu apenas como um álbum de rock: nasceu como uma resposta à perda, à incerteza e ao risco de desaparecimento de uma das maiores bandas do planeta.

Naquele momento, o AC/DC estava diante de uma decisão que poderia mudar para sempre seu destino. A banda havia acabado de alcançar projeção mundial com “Highway to Hell”, seu primeiro grande sucesso internacional, mas uma tragédia interrompeu o caminho: a morte de Bon Scott, vocalista e uma das figuras mais marcantes do grupo.

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Bon Scott, ex-vocalista do AC/DC
Bon Scott, ex-vocalista do AC/DC - Foto: Reprodução / Redes Sociais

O que veio depois parecia improvável. Sem seu principal símbolo, o AC/DC decidiu continuar. O resultado foi um disco que se tornou uma homenagem, uma reconstrução e um dos maiores fenômenos comerciais da história da música.

A morte de Bon Scott e o momento em que o AC/DC quase acabou

No início de 1980, o AC/DC vivia o auge da ascensão. O álbum “Highway to Hell”, lançado no ano anterior, havia levado a banda australiana a um novo patamar, ultrapassando a marca de um milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Mas o cenário mudou completamente em 19 de fevereiro de 1980.

Bon Scott morreu aos 33 anos, após uma noite de excessos em Londres. A versão oficial aponta que o cantor morreu por asfixia causada pelo próprio vômito após uma intoxicação alcoólica. A notícia abalou integrantes, fãs e toda a indústria musical.

O vocalista era mais do que apenas a voz do AC/DC. Com seu estilo irreverente, sua presença de palco e sua personalidade explosiva, Bon havia ajudado a construir a identidade da banda.

A perda colocou uma pergunta diante dos irmãos Angus e Malcolm Young: seria possível continuar sem Bon Scott?

Durante o funeral realizado em Fremantle, na Austrália, o pai de Bon, Chick Scott, teve um papel decisivo para que a história do AC/DC não terminasse ali. Ao perceber os integrantes da banda devastados, ele teria incentivado os músicos a seguir em frente.

“Vocês têm que continuar. Bon gostaria que fosse assim”.

A frase se tornou um dos primeiros capítulos da criação de “Back in Black”.

Um novo vocalista e o desafio de substituir um ícone

Encontrar um novo cantor não era uma tarefa simples. O AC/DC precisava de alguém capaz de assumir uma posição praticamente impossível: substituir Bon Scott sem tentar copiá-lo.

A escolha acabou sendo Brian Johnson, vocalista britânico que até então estava longe do estrelato.

Brian Johnson assumiu os vocais da banda em 1º de abril de 1980
Brian Johnson assumiu os vocais da banda em 1º de abril de 1980 - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Quando Bon morreu, Johnson trabalhava em uma oficina de reparação de veículos em Newcastle, na Inglaterra. Aos 32 anos, ele acreditava que seu sonho de viver da música havia ficado para trás. Durante os fins de semana, ainda cantava em pequenos shows com uma versão reformada da banda Geordie.

A realidade era bem distante dos grandes palcos que ele encontraria poucos meses depois.

Em 1º de abril de 1980, Brian Johnson assumiu oficialmente os vocais do AC/DC. Pouco tempo depois, a banda viajou para Nassau, nas Bahamas, para gravar o novo álbum nos Compass Point Studios, sob produção de Robert “Mutt” Lange.

A estreia de Johnson ao vivo com o grupo aconteceu em 29 de junho daquele ano, na cidade belga de Namur.

O desafio era enorme: criar uma nova fase sem apagar o passado.

“Back in Black”: quando o luto virou combustível para o rock

O próprio nome do álbum carregava um significado simbólico. Em tradução literal, “Back in Black” significa “de volta ao preto” ou "de volta vestido de preto". Mais do que a tradução literal, ela carrega um simbolismo forte associado à cor do luto, mas dentro daquele contexto representava algo muito maior: o retorno da banda vestida de luto.

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A capa completamente preta também era uma homenagem direta a Bon Scott. Sem imagens, sem cores e sem excessos, o disco começava como um memorial.

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Mas o AC/DC não queria transformar aquela perda em um álbum triste.

“Lembro que Back in Black foi particularmente difícil porque os meninos diziam: ‘Escuta, queremos essa música em memória de Bon, mas não queremos que seja triste ou obscena, queremos que seja uma coisa boa, música positiva'”, disse Brian Johnson, vocalista que substituiu Bon Scott e ficou no AC/DC até 2016.

A homenagem precisava representar a vida, não apenas a ausência.

“Além disso, segundo Johnson, o processo de se fazer a homenagem “foi bem difícil, mas acho que conseguimos [fazê-la] muito bem”. O músico continuou: “[A música] é meio lenta, mas tem um ótimo riff. Foi difícil”.

A primeira faixa do álbum já deixava clara essa intenção. “Hells Bells” começa com o som de sinos fúnebres, uma referência inevitável à morte de Bon Scott, antes de explodir no peso característico da banda.

Era como se o AC/DC anunciasse: a história continuaria.

O disco que virou uma máquina de vender milhões

Quando chegou às lojas em julho de 1980, poucos poderiam imaginar a dimensão que aquele álbum alcançaria.

Com músicas como “Back in Black”, “You Shook Me All Night Long”, “Shoot to Thrill” e “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, o disco rapidamente conquistou fãs em todo o mundo.

Disco Back in Black
Disco Back in Black - Foto: Reprodução / Redes Sociais

A formação responsável pelo clássico, Brian Johnson nos vocais, Angus Young e Malcolm Young nas guitarras, Cliff Williams no baixo e Phil Rudd na bateria, construiu um dos trabalhos mais influentes do hard rock.

O álbum vendeu mais de 50 milhões de cópias mundialmente, chegando a cerca de 51 milhões segundo algumas estimativas, e se tornou o disco de rock mais vendido de todos os tempos.

Mais do que números, o álbum representou uma transformação: o AC/DC deixou de ser apenas uma grande banda australiana para se tornar um dos maiores nomes da música mundial.

O segundo álbum mais vendido da história: atrás apenas de “Thriller”

O sucesso de “Back in Black” colocou o AC/DC em uma lista extremamente restrita: a dos álbuns mais vendidos da história.

O disco ocupa a segunda posição geral, ficando atrás apenas de “Thriller”, de Michael Jackson.

Lançado em 1982, o álbum de Michael Jackson foi um fenômeno que ultrapassou a música e se tornou um acontecimento cultural. Com faixas como “Billie Jean”, “Beat It” e “Thriller”, o trabalho revolucionou a indústria, impulsionado também por videoclipes inovadores e pela transformação de Michael em uma das maiores estrelas do planeta.

Enquanto Thriller dominou o universo do pop, Back in Black mostrou a força global do rock pesado.

Os dois discos, apesar de estilos completamente diferentes, representam momentos em que a música conseguiu atravessar fronteiras e conquistar públicos gigantescos.

Quatro décadas depois, o sino ainda toca

Mais de 40 anos depois, “Back in Black” continua sendo um dos símbolos máximos do rock.

O álbum foi incluído entre os trabalhos definitivos do gênero pelo Rock and Roll Hall of Fame e suas músicas seguem presentes em filmes, comerciais, videogames e apresentações ao redor do mundo.

“Shoot to Thrill”, por exemplo, ganhou ainda mais popularidade ao aparecer na trilha sonora de “Homem de Ferro 2”, enquanto “You Shook Me All Night Long” permanece entre as músicas mais lembradas do rock dos anos 1980.

O disco também carrega uma das maiores histórias de superação da música: uma banda que perdeu seu vocalista, encarou a possibilidade do fim e voltou mais forte.

O AC/DC não substituiu Bon Scott. Construiu uma nova fase.

E talvez essa seja a maior força de “Back in Black”: ele não é apenas um álbum sobre a morte de um cantor. É um álbum sobre continuar tocando mesmo quando tudo parece ter acabado.

Porque, como a própria banda cantou naquele disco:

“Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, ou Rock and Roll não é poluição sonora.

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AC/DC Back in Black Dia do Rock história do rock

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