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MÚSICA BRASILEIRA

Gilberto Gil sobe ao palco com Geraldo Azevedo em show em Salvador

Turnê que celebra os 80 anos de Geraldo Azevedo chega à Concha Acústica com sucessos da carreira

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*
Geraldo Azevedo
Geraldo Azevedo - Foto: Leo Aversa

O tempo é o fio condutor de Oitentação, espetáculo em que Geraldo Azevedo revisita a própria trajetória ao celebrar 80 anos de vida e mais de seis décadas dedicadas à música.

Depois de percorrer diferentes capitais brasileiras e ganhar um registro ao vivo, a turnê retorna a Salvador na sexta-feira, 17, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em uma apresentação que reúne clássicos da carreira, canções recentes e a participação especial de Gilberto Gil.

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O show percorre diferentes momentos da carreira de um dos principais nomes da Música Popular Brasileira (MPB). Ao longo de décadas, Geraldo construiu uma obra que ajudou a consolidar sua identidade artística ao unir influências de ritmos como baião, xote, forró, frevo, maracatu e MPB em canções que seguem presentes na memória do público e dialogam com diferentes gerações.

A escolha do repertório partiu justamente dessa proposta de revisitar diferentes fases da carreira. Segundo o artista, o processo envolveu tanto a memória quanto a emoção. "São mais de cinco décadas de estrada, então não é uma escolha simples. A ideia foi reunir canções que marcaram diferentes fases da minha vida e que também fazem parte da história de quem me acompanha", afirma.

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Ao lado dos sucessos esperados pelo público, o espetáculo abre espaço para composições menos conhecidas e lançamentos recentes. Parte desse repertório também está no disco, ao vivo, de Oitentação, disponibilizado nas plataformas digitais em abril.

O álbum reúne dez faixas, entre elas Arthur e Alice, totalmente inédita, e Eu Vou Te Amar, canção já conhecida na voz de Elba Ramalho e que recebe sua primeira gravação com Geraldo.

Também aparecem no registro, músicas como Caravelas, Bicho de 7 Cabeças, Estou em Paz e O Sal da Terra, composição de Beto Guedes e Ronaldo Bastos reinterpretada pelo pernambucano.

No palco, o repertório se amplia com canções que acompanham o artista há décadas e se tornaram parte da história da música brasileira, como Dia Branco, Táxi Lunar e Dona da Minha Cabeça.

Discografia revisitada - Transformar uma trajetória tão extensa em um espetáculo de cerca de uma hora e meia exigiu um trabalho de pesquisa e seleção conduzido pelo flautista César Michiles, diretor musical da turnê e parceiro de Geraldo há mais de 30 anos. Antes de chegar ao formato apresentado ao público, o roteiro passou por uma revisão da discografia e por conversas sobre as histórias ligadas a cada composição.

“O primeiro grande desafio foi fazer uma seleção criteriosa do repertório antes mesmo de apresentá-la ao Geraldo. Como traduzir uma carreira de mais de seis décadas em apenas uma hora e meia de espetáculo? Cada música precisava ter um propósito e representar um capítulo importante da sua história”, conta Michiles.

A partir da primeira seleção, artista e diretor passaram a construir juntos a sequência do show. Memórias pessoais, momentos da carreira e significados atribuídos às canções ajudaram a definir uma apresentação pensada como narrativa, na qual cada faixa conduz à seguinte e revela uma parte da obra de Geraldo.

No palco da Concha, ele será acompanhado por César Michiles, na flauta e no sax, Romero Medeiros, no teclado, Johnanthan Malaquias, no acordeon e na voz, Júnior Xanfer, na guitarra, Toninho Tavares, no baixo, Augusto Nascimento, na bateria, e Jerimum de Olinda, na percussão e na voz.

Encontro com Gil - A passagem por Salvador ganha um significado particular com a participação de Gilberto Gil. Os dois artistas mantêm uma relação de amizade e admiração construída ao longo de décadas e voltaram a dividir o palco recentemente, durante a turnê Tempo Rei, em Recife. Na ocasião, cantaram juntos Drão, e Geraldo apresentou Ágil Passarinho em homenagem ao baiano.

Agora, o reencontro ocorre na Concha Acústica, durante o período que marca o encerramento do ciclo de Oitentação. Geraldo evita revelar quais músicas serão apresentadas pela dupla, mas indica que a experiência vivida em Recife pode servir de inspiração para a noite em Salvador.

“Cantar Drão, com Gil, e depois poder homenageá-lo com Ágil Passarinho foi um daqueles momentos que a gente guarda para sempre no coração. Agora, nos encontrarmos de novo em Salvador, justamente no encerramento de Oitentação, tem um significado muito especial. O que vai acontecer no palco eu prefiro deixar como surpresa, mas acho que seria uma boa repetir momentos de tanta emoção”, afirma.

Brasilidades - Antes de Geraldo subir ao palco, o público será recebido pelo DJ JP, responsável pela abertura de toda a turnê. Formado pela Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC), o artista preparou um set dedicado às brasilidades, reunindo referências da música baiana com ritmos de diferentes regiões do país.

"Eu toco muita coisa de artistas baianos ou influenciados diretamente pela Bahia. Mas quis misturar com outros ritmos do Rio, de Pernambuco, do Pará, fazendo essa mistura das brasilidades", conta JP.

Segundo o DJ, integrar a turnê representa um passo importante em sua trajetória profissional. Primeiro DJ profissional brasileiro com trissomia 21 (T21), ele destaca a oportunidade de dividir a programação com um artista que acompanha desde a infância e de ampliar a visibilidade de profissionais com deficiência.

"É muito importante também ele abrir esse espaço para pessoas como eu, que têm poucas oportunidades de mostrar talento. Pessoas com síndrome de Down podem viver como as outras, inclusive trabalhar. E quando eu estou lá, eu mostro pra todo mundo que é possível", comenta JP.

Para Geraldo, seguir no palco depois dos 80 anos prolonga uma relação construída com o público e com as canções que atravessaram sua vida. A intenção, como costuma brincar, é fazer a celebração durar até que a Oitentação se transforme em ‘Noventação’.

Enquanto isso, versos como ‘nunca me esqueça, não te esqueço jamais’, de Dona da Minha Cabeça, continuam sendo cantados por diferentes gerações, indicando que, mesmo com a passagem do tempo, a música de Geraldo Azevedo dificilmente será esquecida.

OITENTAÇÃO

  • Data: 17 de julho
  • Horário: 19h
  • Local: Concha Acústica do Teatro Castro Alves
  • Ingressos: a partir de R$ 100
  • Vendas: no Sympla
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