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INTERJEIÇÃO POLISSÊMICA

Lenine se reinventa no palco de Salvador: "Não gosto da sensação de repetição"

Cantor traz álbum mais recente, ‘Eita’, uma expressão múltipla como seu trabalho

Júlio Cesar Borges*
Por Júlio Cesar Borges*
"Eita"! Lenine desembarca hoje na Concha Acústica com sua nova e intimista turnê
"Eita"! Lenine desembarca hoje na Concha Acústica com sua nova e intimista turnê - Foto: Gilda Midani | Divulgação

Depois de lançar o álbum EITA e um audiovisual nele inspirado, o cantor e compositor Lenine leva o projeto para o palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves hoje, às 19h. O espetáculo marca mais uma etapa de um trabalho que nasceu no estúdio, ganhou linguagem audiovisual e agora se transforma em experiência ao vivo.

Lançado no fim do ano passado, EITA reúne 11 faixas inéditas e ocupa um lugar especial na discografia do artista pernambucano. Embora mantenha a marca experimental presente ao longo de sua carreira, Lenine define o projeto como um dos mais pessoais que já realizou.

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As canções partem de questões íntimas e revelam aspectos de sua trajetória que raramente apareceram de forma tão explícita em trabalhos anteriores.

A transposição do disco para o palco exigiu novas escolhas. Segundo o cantor, a experiência de gravar um álbum é muito diferente daquela vivida diante do público. “Uma coisa é estar no estúdio, gravando e formatando o que virá a ser um álbum. Outra é transformar esse trabalho em espetáculo, levando em consideração a experiência do ao vivo, aquilo que acontece no encontro com o público”, afirma.

A interjeição que dá nome ao projeto serve como fio condutor do espetáculo. Presente no vocabulário popular nordestino, “eita” pode expressar surpresa, encantamento, espanto ou desconfiança. Para Lenine, essa multiplicidade de sentidos (polissemia) atravessa todas as canções do repertório. “De alguma maneira, todas elas convergem para essa ideia, dialogam com a amplitude dessa palavra tão simples e tão rica”, diz.

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Entre passado e presente

Ao transformar o projeto em show, o cantor optou por preservar integralmente o repertório do álbum. Ao mesmo tempo, buscou resgatar músicas que estavam há anos fora de suas apresentações e incluir sucessos que acompanham sua trajetória.

O resultado é um concerto que aproxima diferentes fases de sua produção artística. Canções recentes convivem com obras já consagradas pelo público. Mais do que uma retrospectiva, o espetáculo reforça uma característica que acompanha Lenine desde os primeiros trabalhos: a recusa em permanecer no mesmo lugar. Mesmo após mais de quatro décadas compondo, ele afirma continuar movido pela curiosidade.

“Continuo me impondo esse incômodo de fazer o que ainda não fiz. Não gosto dessa sensação de repetição que está muito associada ao que a gente faz”, afirma.

Para ele, compor ainda significa procurar palavras inéditas, mecanismos sonoros desconhecidos e processos criativos que não foram explorados anteriormente.

Uma nova formação

O caráter experimental de EITA também aparece na formação escolhida para a turnê. O espetáculo reúne um sexteto formado por músicos que já o acompanham há anos e por novos colaboradores que ampliaram as possibilidades sonoras do projeto.

Além de Bruno Giorgi, Gabriel Ventura e Pantico Rocha, parceiros antigos, a banda incorpora a cantora e percussionista Negadeza, ligada à tradição do coco, e o multi-instrumentista Henrique Albino. Segundo Lenine, a presença dos dois artistas provocou mudanças significativas nos arranjos e na dinâmica do grupo. “A química desses seis reunidos acabou transformando bastante o espetáculo”, afirma.

O show também investe em recursos visuais que dialogam com a proposta musical do projeto. Iluminação, cenografia e figurino foram concebidos para acompanhar a polirritmia e as diferentes camadas sonoras construídas em cena. Apesar das novidades, Lenine afirma que seu foco permanece inteiramente voltado para EITA.

Embora continue participando de projetos de outros artistas e realizando parcerias musicais, o cantor vê a atual turnê como uma oportunidade de aprofundar a experiência iniciada com o disco.

“Estou completamente mergulhado em viajar o mundo com o filho mais novo, que é o EITA”, conclui.

Lenine, em “Eita” / Hoje, 18h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / R$ 100 e R$ 160 / Vendas: Sympla e bilheteria TCA / Classificação: 16 anos

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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