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VIOLÕES IRADOS

Nostalgia rock: Ira! traz show histórico do Acústico 20 Anos para Salvador

"Somos muito fiéis aos arranjos originais", afirma Nasi

Chico Castro Jr.
Por Chico Castro Jr.
Ira! desembarca em Salvador para reviver o maior sucesso da sua carreira
Ira! desembarca em Salvador para reviver o maior sucesso da sua carreira - Foto: Ana Carina Zatin | Divulgação

Em 2004, a banda paulista Ira! tentava se firmar após uma década de 90 difícil para a banda, uma das principais da gloriosa geração oitentista que varreu o país com o chamado rock Brasil. Seu último álbum de estúdio, Entre Seus Rins (2001), vendeu mal. Após muito debate, decidiram recorrer à fórmula do Acústico MTV, que já havia renovado muitas carreiras – no Brasil e fora dele. E deu certo. Lançado em 2004, o álbum “desplugado” do Ira! foi um enorme sucesso, vendendo quase um milhão de CDs e DVDs. Vinte anos depois, Nasi, Edgard Scandurra & Cia prestam tributo àquele momento especial no show Ira! Acústico 20 Anos, que chega hoje à Concha Acústica do TCA.

Apresentado dentro do projeto Concha Para Todos, que oferece shows à preços mais amigáveis ao grande público do que a média costumeira no local, o espetáculo trará o lendário grupo em uma formação quase igual à do show original de 2004. Além de Nasi (vocais) e Edgard (violão e vocais), sobem ao palco os músicos Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão, lendário multi-instrumentista, tocou muito com Raul Seixas), Daniel Scandurra (baixolão), Jonas Moncaio (violoncelo) e Juba Carvalho (percussão – substituindo a baiana Michele Abu, que tocou na formação do Acústico original).

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Nasi lembra que a banda atravessou toda a década de 1990 meio que se desviando do projeto de um Acústico, por considerarem de caráter “comercial demais”, mas que no início do século, acabaram cedendo – mas o fizeram em seus próprios termos, como tudo o que o Ira! faz.

“O Acústico para o Ira! se tornou um desafio. Nós, de certa forma, resistimos muito, por algum tempo, para entrar nesse projeto, porque a gente não queria que parecesse assim um movimento de apelo comercial. Só topamos quando a gente chegou à conclusão de que poderíamos fazer um repertório de excelência, de qualidade, realmente acústico, com um grande repertório”, relata Nasi, em entrevista por WhatsApp.

“Dedicamos muito meses de ensaio, de formação de banda e seleção de repertório com o nosso produtor, e o resultado veio com um grande sucesso, que realmente foi um divisor de águas na carreira do Ira!”, acrescenta o cantor.

Quem for hoje à Concha Acústica terá o prazer de assistir à banda executar o repertório do show de 2004 ipsis literis: “O show é completamente fiel ao projeto, ao DVD, digamos assim. Inclusive toca uma décima nona música que só entrou nos extras (do DVD). Então, o show são as 19 músicas do Acústico MTV. No bis, a gente toca uma ou duas músicas que não fizeram parte, mas que ficam bacanas nesse formato, como Bebendo Vinho (clássica canção do gaúcho Wander Wildner, gravada pelo Ira! em Isso é Amor, de 1997) e Mudança de Comportamento (faixa-título do álbum de estreia, de 1985), mas é basicamente isso”, conta Nasi.

Ou seja, vai ter no repertório, além das citadas, pedradas do repertório da banda, como Tarde Vazia, Rubro Zorro, Dias de Luta, 15 Anos (Vivendo e Não Aprendendo), Pra Ficar Comigo (versão de Train in Vain, do The Clash) e muitas outras. Coisa boa.

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Fidelidade total ao original

Imagem ilustrativa da imagem Nostalgia rock: Ira! traz show histórico do Acústico 20 Anos para Salvador
Foto: Ana Carina Zatin | Divulgação

Se as canções permanecem as mesmas, como ensinava o Led Zeppelin, com os arranjos, não será diferente. Nasi conta que, na época, deu tanto trabalho “deseletrificar” esse repertório, que ele e Edgard acharam honrar todo aquele esforço no show dos 20 anos: “Somos muito fiéis aos arranjos daquele álbum. A gente acredita que como é um show comemorativo, celebrativo, não caberia a nós transformarmos aquelas músicas que o público tanto gostou, que nós trabalhamos tanto para chegar àquele resultado, né? Seria uma grande bobeira, né?”, percebe.

“É óbvio que um detalhezinho aqui ou lá sempre acontece. Uma convençãozinha, algumas coisas delicadas que o público às vezes nem percebe, mas que a gente, como é que se diz, aperfeiçoou talvez, mas são os mesmos arranjos”, acrescenta.

Essa fidelidade ao repertório e aos arranjos se estendeu, como não poderia ser diferente, à própria formação da banda – embora hoje sejam outras pessoas acompanhando a dupla fundadora remanescente.

“É exatamente isso, nós queríamos ser muito fiéis àquele trabalho, não queríamos reinventá-lo. Então montamos uma banda até um pouco mais enxuta, porque no caso do Johnny Boy, ele faz só teclados, ele raramente pega um segundo violão. A ideia era pegar um segundo violão, mas acabou ficando meio anacrônico”, nota.

“E nós também não contamos com os cantores de backing vocals que tinham, porque eu acho que eu, o Edgar e o Johnny Boy damos conta dessas aberturas de voz. Então é a mesma formação, exceto esses detalhes”, relata Nasi.

Vai ter Ira! na “terrinha”

Imagem ilustrativa da imagem Nostalgia rock: Ira! traz show histórico do Acústico 20 Anos para Salvador
Foto: Ana Carina Zatin | Divulgação

Em plena atividade desde que retornaram do hiato entre 2007 e 2014, Nasi e Edgard vão desbravar, aos 45 anos de banda, uma nova fronteira: em outubro, o Ira! se apresentará pela primeira vez do outro lado do oceano, em Portugal. A banda fará shows em Lisboa (em 02/10) e Porto (03/10).

Nasi conta que agora há uma produtora em Portugal que está se empenhando em levar as grandes bandas de rock do Brasil para shows na “terrinha”: “Já houve outros convites, outras possibilidades, mas só dessa vez encontramos uma produtora lá em Portugal que resolveu levar às últimas consequências. Inclusive, eu entendo, até onde eu sei, que o Ira! vai ser a primeira banda de rock que vai inaugurar uma leva de músicos de rock brasileiros que vão ser levados a Portugal por essa produtora. Acho que tem Capital Inicial também, outros artistas na sequência”, revela.

“A verdade é que, fora do Brasil, na Europa, Estados Unidos, os caras se interessam pela música popular brasileira (MPB). Por mais que o Ira! esteja inserido nisso, somos vistos como uma banda de rock. Eu sei que tem público lá, além de brasileiros, tem portugueses que conhecem nosso trabalho, afinal, nós temos mais de 40 anos de carreira. Aqui no Brasil é a mesma coisa: tem muitas bandas de rock famosíssimas em Portugal, mas o que trazem aqui para o Brasil, de Portugal, é o fado, um ou outro artista de música popular portuguesa”, nota Nasi.

Ele cita uma das bandas mais populares do rock português, o Xutos & Pontapés, que quase não é conhecida no Brasil. “A banda mais famosa de Portugal, que é o Xutos & Pontapés, só tocou uma vez no Brasil, na década de 90, inclusive com o Ira!, num show das duas bandas. Portugal tem várias bandas famosas lá e muito boas, mas que também nunca vieram para o Brasil”, observa.

(Na verdade, o Xutos & Pontapés voltaram ao Brasil em 2011, se apresentando no festival Rock in Rio em parceria com os Titãs, em um show que rendeu um DVD ao vivo – sem grande repercussão, de fato).

Foco nos projetos solo

Apesar de seguirem tocando juntos, Nasi conta que, por enquanto, não há planos para o Ira! de gravar material inédito. O último e único álbum de inéditas da banda desde o retorno em 2014 foi o autointitulado IRA!, que saiu no malfadado ano de 2020 – e que, por conta da pandemia, não teve turnê de divulgação.

“Olha, quanto a essa questão de coisas novas, acho que isso pertence ao destino, não é algo que a gente está pensando nesse momento. Acho que, para fazer isso, a gente precisaria reunir muita coisa boa de músicas inéditas, como fizemos em 2020. Acho que, por enquanto, isso não está nos nossos planos”, diz Nasi.

“Acho que tanto eu como o Edgar temos projetos solos, que são hoje a fonte da nossa maior criatividade, e seguimos com esse intuito. E essa turnê se encerra no final desse ano. Para 2027, retomamos a nossa normalidade, que é um show de rock and roll com eletricidade”, conclui o frontman.

Então, que voltem “plugados” em 2027!

CONCHA PARA TODOS apresenta IRA! Acústico 20 Anos / Hoje, 19h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves /R$ 100 e R$ 60 (primeiro lote) / Vendas: bilheteria do TCA e Sympla

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