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Orkestra Rumpilezz abre ensaio gratuito ao público em Salvador

Big band criada por Letieres Leite realiza ensaio aberto gratuito no Teatro Sesc Casa do Comércio

Manoela Santos*
Por Manoela Santos*
Orkestra Rumpilezz
Orkestra Rumpilezz - Foto: Divulgação | Caio Lírio

O ensaio é, sem dúvida, uma das etapas mais importantes de uma apresentação. É nesse momento que músicos e artistas têm a liberdade de errar, testar arranjos, ajustar detalhes e antecipar possíveis falhas antes de subir ao palco.

Abrir esse processo ao público significa compartilhar os bastidores da criação, revelando tudo o que normalmente permanece invisível.

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É exatamente essa a proposta da big band Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, que convida o público para um ensaio aberto no Teatro Sesc Casa do Comércio, na terça-feira, 30, às 20h, que integra a programação comemorativa de 20 anos da instituição. Os ingressos gratuitos estarão disponíveis no Sympla a partir das 12h do próprio dia 30.

O encontro será uma oportunidade para acompanhar de perto os preparativos para o concerto de aniversário da Orkestra, previsto para o segundo semestre deste ano. Mais do que uma prévia, a proposta é permitir que admiradores, estudantes, músicos e interessados vivenciem os bastidores do processo criativo e musical do grupo.

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O público poderá acompanhar o trabalho dos músicos, os ajustes de repertório e a construção coletiva que antecede as apresentações da Orkestra.

Segundo o saxofonista Rowney Scott, integrante da Comissão Artística do grupo, o ensaio aberto é um momento de maior proximidade entre músicos e público, no qual o processo de construção da música se revela de forma mais transparente.

“É um momento de intimidade e proximidade. Muitas coisas que não acontecem no show acontecem no ensaio, como erros, ajustes e conversas sobre trechos que precisam ser trabalhados”, afirma.

Manutenção do legado

Idealizada pelo maestro, compositor e educador Letieres Leite (1959–2021), a Orkestra Rumpilezz construiu uma linguagem inconfundível ao unir o jazz às tradições rítmicas afro-baianas, com destaque para os toques dos atabaques do candomblé — rum, rumpi e lé.

O método criado por Letieres, o Universo Percussivo Baiano (UPB), estruturou uma estética própria que atravessa toda a trajetória do grupo.

Ao longo de duas décadas, a Orkestra se consolidou como referência nacional e internacional, ampliando as possibilidades da música instrumental brasileira e reafirmando a potência da cultura afro-diaspórica. Para o percussionista Tiago Nunes, a identidade da Orkestra está diretamente ligada à forma como Letieres pensava a escrita para sopros e percussão.

Orkestra Rumpilezz
Orkestra Rumpilezz - Foto: Divulgação

“O Letieres traz com muita força a referência da música de matriz afro-baiana, os ritmos afro-baianos, e a forma como ele fazia os arranjos. Ele pensava um grupo que tem percussão e sopro, e dentro disso ele levava as claves, a presença da percussão para dentro dos sopros. Ele faz isso de maneira muito clara”, afirma.

Segundo ele, essa construção altera profundamente a lógica da orquestração tradicional. “Ele passeia pela forma de abrir as harmonias, de estruturar a música, e isso é muito diferente de tudo. Ele mostra uma verdadeira Bahia dentro do jazz. O próprio nome Rumpilezz vem dessa mistura: rum, rumpi e lé, que são os atabaques do candomblé, e o ‘jazz’. Ele mistura a Bahia com o mundo”, completa.

Continuidade e renovação

A Orkestra Rumpilezz já participou de grandes festivais internacionais e realizou turnês na Europa e nos Estados Unidos. Para Rowney Scott, a permanência do grupo após a morte de Letieres Leite foi construída a partir da própria estrutura que ele deixou.

“Com a partida do maestro, a coisa ficou na mão da Orkestra, dos músicos e da comissão artística. Mas o Letieres sempre teve uma preocupação muito grande em formar pessoas dentro do grupo, valorizar os músicos, os chefes de naipe, os titulares. Ele preparou isso ao longo de todos esses anos, mesmo sem falar diretamente sobre sucessão”, explica.

Segundo o saxofonista, essa organização permitiu que a essência da Orkestra permanecesse viva. “A maioria dos músicos titulares permaneceu, e isso faz com que essa música já esteja impregnada em cada um de nós. O conceito continua porque ele foi muito bem construído e assimilado”, diz.

O grupo mantém também o Rumpilezzinho, projeto de formação musical voltado aos jovens. Para Rowney, a renovação interna também conta com a colaboração do grupo de jovens. “A gente vem incorporando músicos que passaram pelo Rumpilezzinho. Muitos já são substitutos e alguns já viraram titulares. Isso garante continuidade e também renovação ao mesmo tempo”, afirma.

Relação com o público

O ensaio aberto se conecta a uma prática defendida por Letieres Leite: a aproximação entre o processo criativo e o público. A proposta, segundo o grupo, reforça não apenas a formação de plateia, mas também o acesso à música instrumental e aos bastidores da criação musical.

No repertório do encontro, a Orkestra revisita diferentes momentos de sua trajetória, passando por álbuns como Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, A Saga da Travessia e Moacir de Todos os Santos, além de arranjos dedicados a compositores como Dorival Caymmi.

Orkestra Rumpilezz
Orkestra Rumpilezz - Foto: Divulgação | Caio Lírio

Para Rowney Scott, o ensaio aberto permite justamente que o público acompanhe não apenas o resultado, mas o caminho da construção musical. Segundo ele, “quem for assistir vai ver os erros, a forma como a gente pensa, os bate-papos”, já que o ensaio é o espaço em que ajustes são feitos em tempo real.

“A gente tem direito de errar, voltar e pontuar. É um ensaio, então as pessoas vão ver tudo isso acontecendo”, afirma.

O saxofonista explica ainda que a diferença em relação ao concerto está na concentração e no estado de execução da Orkestra. “No show, tudo está muito mais afiado, com atenção à respiração, ao silêncio e aos detalhes. No ensaio aberto, estamos organizando, ajustando e entendendo as coisas ainda”, diz.

Ao mesmo tempo, ele ressalta que essa abertura cria uma camada de troca que não costuma existir no palco. Rowney define a experiência como uma oportunidade de comunicação mais direta com o público: “É uma oportunidade de aproximação, de entendimento e de comunicação que, num show, não existe com a mesma intensidade”, completa.

A realização do ensaio aberto da Orkestra Rumpilezz conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia.

Ensaio Aberto - Orkestra Rumpilezz 20 anos

  • Quando: terça-feira, 30
  • Horário: 20h
  • Onde: Teatro Sesc Casa do Comércio
  • Gratuito
  • Ingressos disponíveis via Sympla no dia 30.06, a partir de 12h

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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música Orkestra Rumpilezz Salvador

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