OPINIÃO
A proteção à democracia
Confira o editorial do jornal A TARDE deste domingo


O voto secreto, direto e eletrônico é uma forma aceitável de legitimar o governo, embora imperfeita: eis uma boa razão para contribuir com o “defeso eleitoral”, em vigência desde ontem. Em meio às oitavas da Copa do Mundo, seguindo-se ao entusiasmo da festa joanina, a esperança é pelo controle da propaganda ilegal e do abuso de poder.
Inaugurações de obras já não podem contar com a presença de candidatos; sites governamentais devem remover conteúdos de promoção de agentes políticos. Nada de contratação de shows com recursos públicos; não se pode exonerar e movimentar servidores, exceto em situações justificadas.
Até mesmo repasses voluntários de recursos entre entes federativos ficam proibidos, salvo em casos de calamidade ou continuidade de obras já iniciadas. Permanecem vetadas as mensagens em rádio, TV, outdoors e faixas.
Toda atenção está relacionada às restrições para impedir o uso de instituições da República e órgãos do Executivo com fins de favorecer pré-candidaturas. A legislação brasileira, destacando-se a Lei 9.504/1997, vem se aprimorando, pari passu ao debate ético, ao qual se deve atribuir o combate a antigas artimanhas.
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Até o século passado, fazia parte das estratégias de campanha a inauguração de praças, ginásios de esporte, estádios e obras diversas às vésperas do pleito. Além de o eleitorado aguçar a percepção de tratar-se de um drible do candidato, entraram em campo nossos legisladores para pôr fim a estas infelizes perfídias.
Prestes a completar 40 anos no dia 11 de novembro, o estádio Manoel Barradas foi inaugurado a quatro dias das eleições de 1986, com forte apelo para a torcida. Foi uma tentativa de persuasão, tendo a obra particular o apoio do grupo político desejoso de permanecer no poder – o que terminou não ocorrendo.
Esta e outras bizarrices, hoje, são impossíveis, revelando o quanto a democracia brasileira melhorou, com perspectivas de seguir aprimorando seus trâmites continuamente.


