OPINIÃO
Assédio eleitoral
Confira o Editorial deste domingo


O crescimento das denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho liga em alto volume a sirene da jovem democracia brasileira, exposta a interesses de classe. Segundo o Ministério Público do Trabalho, já foram registradas 223 infrações em 2026, das quais 95 ocorreram neste mês de início da campanha.
Embora os dados representem relatos ainda em apuração, eles revelam um problema: a tentativa de interferir na liberdade política de trabalhadores. O voto é um direito individual, secreto e garantido pela Constituição de 1988, incluindo analfabetos, desde a vitória sobre a sempre abominável ditadura.
Nenhum empregador, gestor ou autoridade pública pode usar sua posição de poder para pressionar colaboradores a apoiar determinado candidato ou partido. No entanto, as denúncias mostram ameaças de demissão, promessas de benefícios em troca de votos e constrangimentos em reuniões ou grupos de mensagens.
O problema torna-se ainda mais grave porque a relação de trabalho é marcada por desigualdades: o empregado depende do salário para sustentar a família. O ponto em questão passa longe de solucionar a grave contradição do voto universal, pois cada escolha tem o mesmo peso, embora os eleitores sejam distintos.
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Esta vã filosofia da igualdade radical coloca no mesmo patamar consciências mais iluminadas de outras ainda envoltas pelo breu em plena dificuldade de enxergar. Ruim com ela, pior sem ela, quando é vendada a vista de todos e todas, se o patrão inibe a livre manifestação da cidadania, sozinha, frente a frente com a urna.
A polêmica implica recuar no tempo e verificar, uma vez mais, uma história rica de inusitado, pois foi na Era Vargas – o golpe de 1930 – a instituição do voto secreto. Também se pode atualizar a luta em defesa do sufrágio quando se lembra da seleção de eleitores por critério de renda, durante todo o período da monarquia.
Por todas as razões, morais, históricas e pautadas no senso de justiça, é preciso punir com todo o rigor quem pratica o vil assédio eleitoral.

