OPINIÃO
A verdade sobre o fumo
Entenda por que fumar ou usar vape antes e depois do treino anula seus ganhos musculares


O mote do Dia Nacional de Combate ao Fumo – “treinar não combina com fumar” – ajuda a distinguir “opinião” e “verdade”, conceitos misturados com frequência. Assim como não se trata de “opinião” o fato de vacinas salvarem vidas e quanto ao formato esférico do planeta, a combinação de tabagismo e ginástica faz mal de verdade.
Uma falsa noção de defesa da liberdade de expressar-se tem produzido preguiça do exercício do pensamento para sair do estágio opinativo para o de conhecimento.
“Opinar” tornou-se verbo revestido de uma ilusão de democracia, equivalendo uma proposição válida a uma outra totalmente descabida, gerando desinformação.
O autoengano perigoso expõe jovens afoitos ao absurdo de tragar fumaça de cigarro ou vape antes, depois e até durante a academia – é o “despreparo físico”. Acredita, talvez, a nova geração, em uma espécie de estapafúrdia compensação, por meio da qual o exercício limparia o estrago da nicotina, em curiosa subtração.
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O pessoal da malhação pode decidir pelo paradoxo, mas a verdade é o contrário desta crença estranha: todo ganho obtido no treino se perde no tabagismo. Sem sombra de dúvidas, movimentar o corpo, seguindo orientação profissional, pode fazer bem para os sistemas cardiovascular, respiratório, muscular e sexual.
No entanto, a nicotina causa vasoconstrição e reduz o fluxo de sangue para o músculo. O monóxido de carbono toma o lugar do oxigênio, multiplicando danos. O pulmão inflama e perde capacidade. O resultado é fadiga precoce, recuperação lenta e risco de ataque cardíaco. O fumante treina mais para render menos.
A campanha acerta ao trocar o medo da morte futura pelo prejuízo no presente. O jovem, refém da vaidade, pode sentir medo e angústia de perder o fôlego precioso. Diante de tal situação decisiva, há uma condição necessária a toda pessoa humana: a imposição de ter de escolher, por amor à verdade, entre malhar ou fumar.
Quem prefere arriscar uma opinião falsa vai insistir nos dois verbos, mas terá de conjugar um terceiro: o verbo adoecer.


