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Dia do Combate ao Fumo: parar de fumar melhora a saúde em qualquer fase da vida

Especialistas falam sobre as várias possibilidades de tratamento e recuperação do tabagismo

Alice Paulilo
Por
Antes das consequências irreversíveis do cigarro, procure ajuda e abandone o hábito
Antes das consequências irreversíveis do cigarro, procure ajuda e abandone o hábito - Foto: Freepik / Magnific

Sensibilidade mais aguçada nos dentes, aquela tosse seca que não vai embora e uma falta de ar persistente ao subir as escadas são sintomas simples, iniciais e que podem ser associados a doenças como enfisema pulmonar, bronquite crônica ou até um câncer de pulmão, principalmente se você for uma pessoa que fuma.

O Dia de Combate ao Fumo é celebrado neste sábado, 29, e, nesta matéria, você, fumante, vai perceber que não existe idade ou momento certo para parar de fumar, abandonar o hábito traz benefícios em qualquer fase da vida e permite tratar seus efeitos para viver com mais saúde.

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Por isso, os impactos dos cigarro não devem ser associados apenas às doenças que podem levar à morte, interromper o hábito desde cedo é uma forma de evitar o desenvolvimento de problemas de saúde que não provocam a morte imediata.

A médica, Yanne Amorim, é especialista em cuidados paliativos, líder da linha de cuidados paliativos do hospital Florence, e chama atenção para essa perspectiva.

"Muitas vezes a preocupação é 'vamos evitar o cigarro pensando diretamente na morte', na morte por câncer, morte por infarto. Mas antes disso, a gente precisa falar de outras doenças que o cigarro provoca e que não levam à morte imediata. O cuidado paliativo é importante e deve estar em conjunto com a reabilitação do paciente, não apenas quando os danos já são irreversíveis", ressalta ela.

Por que parar fumar?

Consumir o tabaco, de todas as formas, é prejudicial, seja por charuto, cachimbo, rapé, narguilé, cigarro tradicional ou o eletrônico, desde o primeiro uso é possível identificar consequências.

Quando a fumaça é inalada, ela passa pela boca, pela garganta e chega aos pulmões. Depois, a nicotina é distribuída pelo sistema circulatório, atingindo o resto do corpo e rapidamente o cérebro, onde causa alterações no humor e uma sensação de relaxamento.

Essa substância aumenta o batimento cardíaco, a frequência respiratória, a pressão arterial e a atividade motora do corpo, além de que algumas pessoas também podem sentir efeitos colaterais, como náuseas, tontura e cefaleia.

Com o tempo, os efeitos podem diminuir, mas os danos a saúde só aumentam. Aqueles sintomas simples, citados no início desta matéria, começam a fazer parte da rotina do fumante e se torna perceptível mudanças no paladar, no olfato e na reação corporal ao faltar a substância, irritabilidade, insônia e dor de cabeça, por exemplo.

Os sintomas percebidos no dia a dia é apenas a ponta do iceberg, a exposição contínua à nicotina aumenta o risco de diferentes doenças que atingem os pulmões, mas também outros sistemas do organismo.

O pneumologista, Jorge Ardila, especialista em cessação de tabagismo e atuante no programa HCS Pela Vida, do hospital São Rafael, fala sobre o aumento do número de fumantes e de algumas doenças causadas pelo fumo.

Dr. Jorge Ardila, pneumologista especialista em cessação de tabagismo
Dr. Jorge Ardila, pneumologista especialista em cessação de tabagismo - Foto: Divulgação ASCOM

"O tabagismo tem aumentando em vários países. No Brasil, o número de pacientes tabagistas aumentou, principalmente, após a pandemia. Há várias doenças relacionadas ao consumo do cigarro e a outras formas de fumo. São consequências cardiovasculares, metabólicas e cancerígenas", afirma ele.

"Câncer do pulmão, de boca, de laringe, de esôfago, doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio, o aumento da frequência cardíaca, aquelas associadas ao AVC, além das doenças metabólicas como diabetes ou hipertensão arterial. Tudo isso está associado ao hábito de fumar", completa Dr. Jorge.

A ilusão do vape

No ano de 2010, chegava ao Brasil um novo dispositivo da indústria tabagista, o vape. Com um design moderno e discreto, ele chamou a atenção do público por, inicialmente, ser associado ao tratamento de pessoas que queriam parar de fumar, já que o nível de nicotina era dito como controlado.

O consumo se popularizou, principalmente pela variedade de sabores e pela nova experiência de fumar em um instrumento com formato semelhante o de um pendrive, portátil e, praticamente, sem odor.

Mas, com o passar dos anos, resultados de estudos começou a preocupar ainda mais a comunidade médica. Segundo o doutor, Jorge, pesquisas, até de 2025, mostram que o cigarro eletrônico é pior do que o tradicional e que a concentração de nicotina é de até três vezes mais do que nos cigarros convencionais.

"O cigarro eletrônico pode ser muito pior do que o cigarro industrial, por quê? Porque o cigarro eletrônico tem, além de alta concentração de nicotina, outros componentes que até hoje não se sabe o que é. Componentes como o formaldeído, carbono e alguns outros metais pesados que podem causar ainda mais danos à saúde", alerta Jorge.

"A concentração de nicotina é muito maior, de até três vezes mais do que em cigarro convencional e a combustão do cigarro eletrônico, por ser feita de maneira diferente, causa problemas associados a doenças cardiovasculares, cânceres e AVC", ressalva ele.

Portanto, esse instrumento tão atrativo, principalmente para adolescentes e jovens, que começou a adentrar espaços escolares, festas entre amigos, escode consequências com dimensões ainda não conhecidas, o que provoca um alerta e uma preocupação ainda maior.

Mulheres possuem maior predisposição ao câncer de pulmão

De acordo com o Datasus, as internações por câncer de traqueia, brônquios e pulmões cresceram cerca de 15% na Bahia, entre 2024 e 2025, e as mulheres representam a maior parte dessas internações em ambos os anos.

Se antes as consequências do tabagismo eram mais frequentes em homens, esse cenário vem mudando ao longo do tempo com o aumento expressivo do uso do tabaco em pacientes femininas, segundo o pneumologista, Jorge.

"Em mulheres tabagistas, é muito frequente o câncer de pulmão, mas além dele, as chances de desenvolvimento de cânceres de mama ou de ovário também são maiores quando a mulher é fumante", diz o especialista.

Ainda segundo o Dr. Jorge Ardila, há outros motivos que também influenciam essa predisposição.

"A exposição a própria fumaça do cigarro vinda de outras pessoas, porque, geralmente, as mulheres convivem com homens fumantes. Ou então, quando é frequente o contato com o fogão na lenha ou com cozimentos através de frituras, já que o grupo feminino é ainda o que mais cozinha", relata ele.

Tratamento precoce evita danos irreversíveis

Se você é fumante e já sente os efeitos do tabagismo na sua rotina, saiba que o tratamento não deve começar apenas quando uma doença está em estágio avançado.

A cessação do hábito, o acompanhamento médico e a reabilitação podem fazer parte do cuidado desde os primeiros sinais de comprometimento da saúde, o que ajuda o paciente a controlar sintomas e preservar a qualidade de vida.

Dra. Yanne Amorim, médica paliativa
Dra. Yanne Amorim, médica paliativa - Foto: Divulgação ASCOM

"O cuidado paliativo é uma abordagem multidisciplinar e multiprofissional oferecida tanto para o paciente, quanto para a família. O que a gente busca é a qualidade de vida através do controle de sintomas. Então, desde um ajuste medicamentoso até orientações para família, de como conduzir, no caso de um paciente mais avançado que precisa de auxílio em tarefas do dia a dia, como se alimentar", afirma Dra. Yanne Amorim.

Muitos ainda acreditam que ao receberem algum diagnóstico, o primeiro passo é a reabilitação e só quando os efeitos já são irreversíveis é que entra a abordagem paliativa. Mas essa ideia é errada e acaba comprometendo ainda mais o bem estar do paciente.

"Quanto mais cedo a gente agregar o cuidado paliativo à reabilitação, mais qualidade de vida e tempo de sobrevida a gente ganha", diz a médica.

Mas quando começar? Em que momento se faz necessário a busca pelo cuidado paliativo? Dra. Yanne afirma que não tem um marco temporal, mas que alguns sinais já demonstram a importância do auxílio profissional.

"Aquele paciente que precisa de algum apoio para caminhar, que é dependente de oxigênio e não consegue desempenhar todas as atividades, ou ainda aquele que começa a fazer internações com mais frequência", explica a especialista.

"É importante fazer uma análise do último ano, se ele precisou internar mais que duas vezes, já é o momento de olhar com atenção para os benefícios do cuidado paliativo em conjunto com as medidas de reabilitação", completa ela.

Nunca é tarde para cuidar da saúde

Odeliz Gaiche, tem 72 anos e há 5 parou de fumar. Depois de mais de 60 anos como fumante ativa, ela diz que não foi fácil, mas que o próprio exemplo é a prova de que sempre é possível.

"Comecei a fumar com uns 10 anos, acendia cigarros para a minha mãe e comecei a fumar também. Infelizmente, naquela época era muito comum. Depois, eu tentei parar diversas vezes, fiz algumas tentativas terapêuticas, mas nada deu certo. Até que decidi entrar no programa de tratamento, fiz algumas internações, acreditei que era possível, e foi", relata Odeliz.

Com o passar dos anos, pode parecer difícil acreditar que parar ainda seja possível ou que abandonar o hábito traz benefícios. Essa percepção, inclusive, alimenta um ciclo de culpa e frustração, que pesa não apenas na saúde física, como a emocional. No entanto, independentemente do tempo de consumo, sempre há espaço para buscar ajuda, interromper o tabagismo e cuidar da própria saúde.

"Nas primeiras 24h já é possível visualizar benefícios, o paciente normaliza a frequência e a pressão arterial. Depois de 48h, já conseguimos observar a normalização da pele também, porque o paciente que fuma tem uma pele mais seca, devido a falta de hidratação. Além disso, caso o paciente esteja com alguma doença, a cessação do hábito impede a progressão desta", explica Dr. Jorge.

"É importante que a gente combata o tabagismo, mas não o tabagista. Não podemos culpabilizar quem fuma, porque o que importa não é o porquê ele começou a fumar e sim mostrar que existe tratamento e que nunca é tarde para buscar uma vida com mais bem estar", ressalta Dra. Yanne.

O contato com o cigarro pode começar ainda muito cedo, portanto, reforçar a importância de orientar esse público adolescente sobre os efeitos da nicotina é essencial. Além de ficar atento às estratégias utilizadas pela indústria para tornar os produtos mais atrativos aos jovens.

"O tabagismo continua aumentando, é uma doença pediátrica e a indústria do tabaco está sempre se modificando atrair esse público jovem. Então, cuidado com os adolescentes, com seus filhos. O tabagismo sempre começa em uma idade muito precoce, 9, 10, 11 anos. É importante sempre procurar ajuda médica", ressalta o médico.

Por fim, para quem deseja parar de fumar, buscar ajuda profissional torna esse processo mais seguro e possível. Existem tratamentos e programas de cessação oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de iniciativas em instituições de saúde.

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Procurar acompanhamento é um passo importante para superar a dependência e reduzir os riscos associados ao tabagismo.

"Esses programas, tanto do SUS, quanto o HCR Pela Vida existem para lembrar que sempre existe um começo. O paciente que fuma, pode sim procurar ajuda, porque parar de fumar é sempre a melhor coisa, só traz benefício e evita complicações e doenças associadas", finaliza o pneumologista.

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