OPINIÃO
Editorial - Festa e identidade
Leia editorial de hoje do Jornal A TARDE


O gesto de acender uma fogueira de São João ganha impulso no íntimo de cada pessoa a compartilhar da festa, iluminando a vida com alegria – sentimento de quem está feliz. Os encontros nas praças e quadrilhas produzem esta mágica expansão de si mesmo, para quem se sente pertencendo àquele mundo colorido, de música e dança; comida e bebida.
É gente, muita gente, em quantidade – 1,8 milhão só de turistas em 2025 – e qualidade, graças à sabedoria de conviver com a simplicidade e a gentileza da civilização rural baiana. O dinheiro também importa: só com as atividades envolvendo as levas de visitantes, foram R$ 2,3 bilhões ano passado, e o melhor: a riqueza não fica mais na mão de poucos.
Trabalhadores, artistas, comerciantes, agricultores, cozinheiras, costureiras, motoristas, guias turísticos, são muitos os ofícios espalhados em toda a gigantesca rede joanina. A ambiguidade, atributo divinal, combina os duos: festa e trabalho; tradição e futuro; a síntese da fantasia do casamento na roça e a realização de novos amores.
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Neste cenário no qual multiculturas e economia incidem mutuamente encontra-se espaço para uma necessária pausa no ritmo acelerado da vida moderna e nas demandas do cotidiano, de modo a celebrar a festa que mais traduz, para a gente nordestina, os conceitos de identidade e pertencimento.
O período junino transcende o calendário festivo para reafirmar raízes, valores, costumes e memórias que atravessam gerações e ajudam a preservar a riqueza cultural do nosso povo. Nas cidades e no campo, famílias e amigos se reúnem para enaltecer a convivência, renovar afetos e manter vivas tradições que formam a alma nordestina.
Celebrar o São João é celebrar quem somos, e reconhecer que, em nossas raízes, encontramos conforto, alegria, inspiração e energia para seguir em frente. Que a força dessa tradição siga iluminando o presente e inspirando o futuro das próximas gerações.


