OPINIÃO
Indignação e maturidade
Confira o Editorial desta quinta-feira


As revelações envolvendo Alexandre de Moraes, o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master colocam o país diante de crise institucional impossível de ignorar. Para ampliar a celeuma, as mensagens mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Os indícios de fatos graves precisam ser elucidados, pois a democracia necessita do respaldo de autoridades de conduta ilibada para a missão de fiscalizar e julgar. É compreensível a indignação de parte da sociedade, mas este sentimento de revolta não pode decretar uma sentença política contra o Supremo Tribunal Federal.
Pedir renúncia ou impeachment de ministros seria cometer o erro crasso de antecipar-se ao resultado de uma investigação séria, pois o caso pede maturidade. Há quem tenha interesse na instabilidade institucional, portanto este grupo incendiário vai incentivar condutas inadequadas e relações pessoais impróprias.
Obviamente, apurar é preciso: interlocuções indevidas, conflitos de interesse ou supostos favorecimentos devem ser condenados e os autores, punidos. Os indivíduos erram, dada a condição humana, mas seus tropeços são insuficientes para sustentar ataques ao STF, instituição necessária ao equilíbrio democrático.
O relatório da PF, citando Moraes, Gonet e Rodrigues, revela um problema estrutural: quem investiga quem, se os órgãos de controle aparecem nas mensagens? A reação interna espalhou cizânia. O PGR pediu nulidade do relatório, enquanto o ministro André Mendonça - que por sua vez teve um encontro reservado com Daniel Vorcaro - quer levar o caso ao plenário.
A discordância reforça a necessidade de mecanismos independentes e eficazes de apuração, capazes de oferecer respostas sem alimentar suspeitas de autoproteção. O presidente do STF, Edson Fachin, tenta ajustar a balança, lembrando limites e responsabilidades, sem qualquer privilégio para as autoridades envolvidas.
Espera-se cumprir a promessa de medidas cabíveis, sem fragilidades nem excessos, a fim de preservar o relacionamento do Judiciário com a cidadania.