OPINIÃO
Influenciar ou inspirar?
Autointitular-se 'influenciador' não faz de você uma inspiração


Desde que o mundo é mundo, sempre existiram pessoas capazes de inspirar e influenciar outras pessoas, seja para o bem ou para o mal. Há incontáveis exemplos de como o poder da atitude e da oratória, combinados ou em separado, podem influenciar e até alterar os rumos da história da humanidade. Sem contar com Aquele que há mais de dois mil anos mobiliza milhões de seguidores e até fez a história ser dividida entre Antes e Depois Dele, muitos formadores de opinião influenciaram pessoas.
De Sócrates a Platão, passando por São Francisco de Assis, Leonardo da Vinci, Marie Curie, Martin Luther King, Freud, Simone de Beauvoir, Nelson Mandela, Malala e o Papa Francisco, cada qual com seu exemplo e a seu tempo, influenciou e/ou ainda influencia muitas pessoas. Assim, ainda que pareça algo supermoderno e inovador, ser influenciador é bem mais antigo que os papiros do antigo Egito.
Mas o que mudou, de fato, então? Praticamente, quase todos os citados viveram em tempos pré-internet e todos inspiraram pessoas com a força do seu pensamento e suas atitudes concretas. Não contaram com o artifício da compra de likes pra engajar mais pessoas ou alavancar negócios. Apenas pensavam, propagavam as suas ideias, inspiravam e motivavam pessoas com suas posturas e seguiam existindo. E, principalmente, nenhum deles se autointitulava influenciador.
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Com a revolução nos meios de comunicação e a explosão das redes sociais, houve um aumento exponencial das possibilidades de se expor ideias, mas não necessariamente da qualidade daquilo que é propagado em larga escala. Nunca o genuíno direito de falar e ser ouvido foi tão potencializado. Ao simples toque numa tela, qualquer pessoa pode dizer o que pensa e isso ser replicado pra milhares e até milhões de outras pessoas.
Muita gente boa ganhou visibilidade e muitas outras nem tanto, também. E essa megaexposição sem freios nem filtros cobra o seu preço. Mais do que nunca, observamos pessoas adoecendo pelo conflito entre o ser e o tentar parecer que é, entre ser genuíno inspirador de pessoas, agente transformador de ideias e se tornar influenciador digital pra obter ganhos.
Tenho cada vez mais claro que os verdadeiros influenciadores, pessoas que inspiram e motivam, positivamente, outras pessoas não se autointitulam como tal. Seus pensamentos e atitudes falam por elas e ajudam pessoas a pensar, permitindo que cada um forme a sua própria opinião sobre os fatos.
Autointitular-se “influenciador” não faz de ninguém naturalmente inspirador para outras pessoas. As nossas ideias e atitudes é que falarão por nós, e não os títulos que nos atribuímos e/ou tentamos impor aos demais. Não passe essa vergonha!
*Escritora baiana, aprendiz da vida, autora doslivros Energia e bom humor e A felicidade é uma escolha | [email protected]


