OPINIÃO
Limites digitais
Confira o editorial desta quinta-feira, 5


A decisão judicial de impedir a empresa Meta de utilizar conteúdos jornalísticos sem autorização representa um marco na defesa do jornalismo e dos direitos autorais. Ao acolher a ação das entidades representativas do setor – ANJ, Abert e ANER – o Judiciário estabeleceu limites para uso de material produzido pelas empresas de comunicação.
A premissa é a de reafirmar o avanço tecnológico quando segue os trâmites legais, estabelecendo equilíbrio no trato da moralidade visando viabilizar escolhas éticas. A rápida evolução da inteligência artificial transformou a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida, gerando abusos por parte das plataformas.
Reportagens, fotografias, vídeos e análises são resultado de investimento, trabalho intelectual, apuração rigorosa e compromisso com a verdade. As ações de coletar, armazenar e analisar conteúdos jornalísticos, inclusive para robustecer continuamente os gigantescos centros de IA, devem necessariamente ser autorizadas.
O debate ultrapassa os interesses econômicos das empresas de comunicação. Do desempenho profissional do setor depende a qualidade da informação. Sem sustentabilidade financeira, o jornalismo perde capacidade de investigar, fiscalizar autoridades, acompanhar políticas públicas e combater a desinformação.
Em uma democracia, informação confiável é um bem sem o qual todo o sistema de abastecimento de verdades e versões verossímeis entra em pane, gerando pânico. A liminar também expõe o desequilíbrio entre as grandes plataformas digitais e os responsáveis pela produção do conteúdo circulante nas trilhas da internet. Embora tenham papel relevante na distribuição de informação, essas empresas devem levar em conta os direitos de quem gera as edições.
A decisão está longe de inibir a inovação, uma qualidade orgânica e imutável, pode-se dizer, uma das essências capazes de constituir as substâncias digitais. O objetivo é assegurar regras justas, transparentes e compatíveis com a legislação. A ideia, portanto, se baseia em cumprir as leis em vez de eliminá-las.