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BDM no DF? Entenda as conexões da facção baiana com a capital federal

Facção baiana surge em casos no DF em meio a disputas e alianças com grupos de outros estados

Luan Julião

Por Luan Julião

30/01/2026 - 14:21 h

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Episódios recentes ajudam a contextualizar a presença do BDM fora da Bahia
Episódios recentes ajudam a contextualizar a presença do BDM fora da Bahia -

Casos registrados recentemente no Distrito Federal e em cidades do Entorno passaram a evidenciar a presença de conexões do Bonde do Maluco (BDM) também no Distrito Federal (DF). As ocorrências envolvem desde a circulação de integrantes da facção até episódios ligados ao abastecimento de armas, indicando que a capital federal e áreas próximas vêm sendo utilizadas em ações de apoio e articulação do grupo criminoso.

Embora não haja registro de disputa territorial atribuída ao BDM no DF, os episódios chamam atenção por ocorrerem em contextos distintos e por envolverem quadros ligados à estrutura interna da facção, o que reforça a percepção de que a atuação do grupo ultrapassa, cada vez mais, os limites do território baiano e de suas conexões já conhecidas, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro.

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De facção regional a peça de um tabuleiro nacional

Criado em 2015 dentro do Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, o BDM surgiu nos moldes de outras facções brasileiras: organização interna rígida, disciplina hierárquica e expansão a partir do sistema prisional. Em menos de uma década, o grupo deixou de ser restrito ao interior e à capital baiana para figurar em documentos oficiais como uma das facções mais estruturadas do país, com envolvimento inclusive no tráfico internacional de drogas.

Esse crescimento esteve diretamente ligado à busca por aliados estratégicos, sobretudo no fornecimento de drogas e armas. O principal deles é o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, parceria que garantiu ao BDM acesso a rotas, logística e armamento. Mais recentemente, a facção também passou a manter aproximação com o Terceiro Comando Puro (TCP), em uma tentativa de conter o avanço do Comando Vermelho (CV) na Bahia.

DF como eixo logístico e corredor de armas

Dentro desse contexto, o Distrito Federal aparece como peça central. Apurações policiais mostram que o BDM utilizou a capital federal como canal de aquisição e escoamento de armamento, em uma operação que escancarou o nível de organização e capacidade financeira da facção.

Armamentos foram transportados de Brasília para a Bahia
Armamentos foram transportados de Brasília para a Bahia | Foto: Reprodução

Em abril de 2025, investigações no âmbito da Operação Illusion resultaram na localização de sete pessoas envolvidas na compra de mais de 100 armas em Brasília, destinadas diretamente ao abastecimento do BDM na Bahia. O arsenal incluía pistolas, revólveres e armas de maior poder de fogo, adquiridas por meio de intermediários e de um esquema fraudulento que envolveu uma loja especializada da capital.

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Segundo a polícia, as armas eram enviadas por via terrestre, em comboios, e os valores negociados já ultrapassavam R$ 1 milhão, conforme áudios interceptados durante a investigação. Parte do armamento tinha como destino direto o enfrentamento ao Comando Vermelho em áreas de disputa no território baiano.

Presença de integrantes e funções estratégicas

Casos registrados ao longo de 2025 e no início de 2026 no Distrito Federal e no Entorno também evidenciam a circulação de integrantes do Bonde do Maluco fora da Bahia, inclusive de criminosos ligados a funções consideradas estratégicas dentro da facção.

No episódio mais recente, um integrante do BDM com histórico de envolvimento em crimes graves morreu após confronto com a Polícia Militar durante uma ação desencadeada a partir de denúncia de tráfico de drogas e posse de armas em uma área de mata. Segundo a PM, ao perceberem a aproximação das viaturas, suspeitos armados reagiram, dando início ao confronto. O homem baleado chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Ele possuía antecedentes por homicídio e tráfico.

Outro caso aconteceu em dezembro de 2025, no Entorno do Distrito Federal, com a prisão de um foragido da Justiça baiana identificado como integrante do BDM e considerado de alta periculosidade. Ele exercia a função de “disciplina” dentro da facção, cargo responsável por impor regras internas, aplicar punições e garantir o cumprimento das ordens da liderança. A captura ocorreu durante uma abordagem policial, quando o suspeito estava em deslocamento.

De acordo com fontes da polícia do DF ao Portal A TARDE, a presença desses quadros fora do estado de origem indica que o BDM não utiliza o DF apenas como rota ocasional, mas como base de apoio e reorganização, seja para fuga, seja para articulação de novas ações criminosas.

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Tags:

Armadilha de Armas Bonde do Maluco distrito federal Facções criminosas organização criminosa tráfico de drogas

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