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Caso Jordan Campos: alvo do MP, psicoterapeuta da 'cura emocional' já teve denúncias anteriores arquivadas

O que dizem os documentos que inocentaram Jordan Campos antes da Operação Catarse

Iarla Queiroz
Por
O psicoterapeuta Jordan Campos
O psicoterapeuta Jordan Campos - Foto: Reprodução / Redes Sociais

A repercussão em torno do psicoterapeuta da 'cura emocional', Jordan Campos, ganhou um novo capítulo após a obtenção de documentos oficiais que trazem conclusões favoráveis ao profissional em investigações anteriores conduzidas por órgãos públicos. Os registros, concluídos antes da deflagração da Operação Catarse, apontam ausência de elementos para caracterização de estelionato e também resultaram no arquivamento de uma denúncia trabalhista relacionada a supostos casos de assédio.

Jordan Campos é atualmente alvo de uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que apura denúncias de violação sexual mediante fraude, assédio sexual e estelionato. No entanto, documentos produzidos em procedimentos anteriores mostram que acusações semelhantes já foram analisadas por autoridades públicas e tiveram desfechos diferentes.

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Relatório policial afastou hipótese de estelionato

Um dos documentos obtidos com exclusividade pelo portal A TARDE é o Relatório Final da Polícia Civil do Tocantins, concluído em dezembro de 2024, dentro de uma investigação aberta para apurar uma suposta prática de estelionato envolvendo uma parceria empresarial firmada entre Jordan Campos e a empresária Juliane de Andrade.

O caso teve origem em um contrato assinado em julho de 2023 para a constituição da empresa ACDI – Academia em Gestão e Soluções Comerciais Ltda. Conforme os autos, a empresária investiu recursos no empreendimento e, posteriormente, procurou as autoridades alegando ter sido vítima de fraude.

Durante a investigação, a polícia analisou contratos, comprovantes de transferências bancárias, documentos societários, depoimentos das partes envolvidas e testemunhas ligadas ao caso.

Ao final da apuração, o delegado responsável concluiu que não havia elementos capazes de comprovar a existência de dolo ou fraude por parte do investigado. O relatório registra que os valores foram transferidos de forma voluntária pela investidora, que a empresa prevista em contrato chegou a ser efetivamente constituída e que a própria sociedade empresarial acabou sendo rompida posteriormente.

A conclusão da autoridade policial foi de que a controvérsia possuía natureza empresarial e contratual, devendo ser discutida na esfera cível, sem caracterização de crime de estelionato ou outra infração penal.

Contratos e transferências foram analisados

Ainda segundo o relatório acessado pelo portal A TARDE, a investigação reuniu documentos relacionados à constituição da sociedade empresarial e ouviu testemunhas que tiveram contato com as partes durante o período da parceria.

O investigado confirmou ter firmado o contrato para criação da empresa e admitiu ter recebido R$ 350 mil da investidora. Conforme seu depoimento, os recursos teriam sido destinados à estruturação do negócio previsto no acordo.

Após examinar o conjunto probatório, a Polícia Civil registrou que não encontrou elementos suficientes para sustentar uma acusação criminal. O documento também observou que os fatos ocorreram integralmente na Bahia e destacou questões relacionadas à competência territorial da investigação.

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Denúncia trabalhista também terminou arquivada

Outro documento obtido pela reportagem trata de um procedimento conduzido pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), instaurado para apurar denúncias de assédio moral e assédio sexual apresentadas por ex-funcionárias e ex-colaboradoras de uma empresa ligada a Jordan Campos.

Durante a apuração, o órgão realizou oitivas, analisou mensagens, vídeos, áudios e documentos apresentados pelas partes, além de promover diligências complementares para verificar os relatos.

Ao final do procedimento, o Ministério Público do Trabalho concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar as irregularidades denunciadas nem fundamentos para o ajuizamento de ação civil pública. O caso acabou arquivado.

Operação Catarse investiga novos fatos

Os documentos, porém, não encerram as investigações atualmente em andamento.

Na última semana, Jordan Campos foi alvo da Operação Catarse, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid), ambos vinculados ao Ministério Público da Bahia.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao psicoterapeuta em Salvador. Também foram determinadas medidas cautelares como bloqueio de bens, quebra de sigilos informático e telemático e suspensão das atividades profissionais relacionadas à psicoterapia, cursos, mentorias e palestras.

De acordo com o MP-BA, as investigações apontam que o profissional teria utilizado sua posição de autoridade e a relação estabelecida com pacientes e alunas para obter vantagens sexuais e patrimoniais. Até o momento, quatro mulheres foram identificadas como possíveis vítimas.

Segundo os investigadores, os fatos apurados atualmente envolvem denúncias que teriam ocorrido ao longo dos últimos anos e seguem em fase de investigação.

Defesa cita procedimentos anteriores

Em manifestação pública divulgada após a operação, Jordan Campos afirmou ser inocente das acusações e declarou que colaborará com as autoridades durante a apuração dos fatos.

O psicoterapeuta também citou as conclusões dos procedimentos anteriores, tanto na esfera trabalhista quanto na investigação sobre estelionato, como exemplos de casos que terminaram sem responsabilização.

"Seguirei colaborando totalmente com a Justiça, exercendo meu direito de defesa e tendo absoluta certeza de que a verdade será plenamente esclarecida", afirmou.

A defesa é conduzida pelo advogado Sebastian Mello, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que informou permanecer à disposição para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Enquanto isso, as investigações relacionadas à Operação Catarse seguem sob responsabilidade das autoridades competentes e ainda não possuem decisão definitiva da Justiça sobre as acusações atualmente apuradas.

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assédio sexual estelionato Polícia

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