POLÍCIA
Caso Thamiris: defesa da família se pronucia após soltura de investigados
Rodrigo “Farinha” foi solto mais uma vez nesta segunda-feira, 11. Outro investigado também teve sua prisão revogada

Um dos principais suspeitos de envolvimento do caso do assassinato da adolescente Thamiris Pereira, de 14 anos, Rodrigo Faria Sena dos Santos, conhecido como Rodrigo "Farinha” teve sua soltura determinada pela Justiça nessa segunda-feira, 11.
Conforme contou o advogado da defesa de Rodrigo, Frederico Augusto Loureiro, ao portal A TARDE, a soltura se deu pois “não foram apresentados indícios concretos que o vinculem a esse crime."
Porém, após tal declaração, a defesa da família da adolescente, feita pelo advogado Rogério Matos, rebateu a fala dizendo que a soltura não seria por questão de falta de provas.
“Não é questão de prova ou não. Era uma prisão temporária e que cumpriu o seu objetivo, de que fizesse com que ele fosse dar o interrogatório”, contou Rogério ao portal A TARDE.

Após isso, o advogado ainda contou que com a análise do relatório, um novo mandado de prisão preventiva será emitido e, com isso, Rodrigo “Farinha” ficaria detido por tempo indeterminado.
Vale ressaltar que tal decisão pode eventualmente ser revogada ou não, ficando a critério da defesa recorrer.
Ainda sobre a soltura de Rodrigo Farias, o advogado Rogério contou que a soltura do suspeito não indica que ele foi inocentado do caso.
“Não é porque uma pessoa saiu da prisão por uma revogação de uma prisão temporária, por exemplo, que essa pessoa é inocente.”
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Outro suspeito foi beneficiado
Além de Rodrigo "Farinha", um terceiro investigado apontado pela Polícia Civil, Leandro de Jesus Ferreira, irmão de Davi de Jesus Ferreira, também teve a prisão revogada. Segundo informações obtidas pela reportagem, a juíza estendeu a ele o mesmo benefício concedido a Rodrigo, após pedido apresentado pela defesa.

Leandro havia sido preso no dia 27 de março, no município de Lamarão, após fugir. Ele é apontado nas investigações como liderança do tráfico de drogas em Itinga e suspeito de participação direta na execução da adolescente.
Próximos passos da investigação
Após a soltura de Rodrigo “Farinha”, o portal A TARDE conversou com o advogado da defesa da família da adolescente Thamiris, que contou o plano para a sequência do caso.
“A linha de investigação não mudou absolutamente nada, e que está em fase final as investigações. Provavelmente dentro do da próxima quinzena no máximo, o relatório apontando os indiciados será enviado ao Ministério Público para o oferecimento da denúncia”, contou Rogério Matos.
Caso vai a júri popular
Ainda sobre os próximos passos do caso da adolescente Thamiris, o advogado apontou ao portal A TARDE que “por se tratar de um crime doloso, a única hipótese é ser julgado em júri popular”.
“Nossa expectativa é que esse caso vá a júri popular o mais breve possível e que se tenha condenação das pessoas que efetivamente tiraram a vida de forma brutal de uma adolescente que tinha a vida pela frente e que não deveria ser de forma cruel, ceifada”, finalizou o advogado.
Investigação e suspeitos
Durante as investigações, a Polícia Civil passou a apontar a participação de três suspeitos. Entre eles, Rodrigo “Farinha”, vizinho da vítima, que, segundo a apuração, teria atraído a adolescente até o local onde o crime ocorreu. Ele chegou a integrar grupos de busca formados por moradores durante o período em que Thamiris estava desaparecida.

Outro investigado, Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, já estava preso desde fevereiro por violência doméstica e é suspeito de ter ordenado o assassinato de dentro do Complexo Penitenciário da Mata Escura. A motivação, conforme a linha investigativa, seria uma suposta vingança, após a crença de que a adolescente teria denunciado o crime à polícia, fato que não foi confirmado, e seu irmão, Leandro de Jesus Ferreira.
Dinâmica do crime
As investigações indicam que Thamiris foi levada a um ponto previamente combinado após sair da escola. No local, teria sido submetida a uma espécie de julgamento informal antes de ser morta, em uma prática semelhante ao chamado “tribunal do crime”.
Na época, em entrevista ao portal A TARDE, o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, relatou que o crime pode ter sido motivado por vingança.
“A principal linha de investigação da polícia aponta que Thamiris foi morta por um indivíduo ou por pessoas ligadas a um rapaz preso no dia 20 de fevereiro. Ele foi detido por violência doméstica e acredita que a adolescente teria acionado a Polícia Militar para denunciá-lo”, afirmou.
Ainda segundo o delegado, a jovem teria sido atraída até um ponto específico após sair da escola.
“Por esse motivo, Tamires teria sido chamada para uma conversa pelo grupo, que, segundo as investigações, possui ligação com o tráfico de drogas na localidade. A orientação era que, ao sair da escola, ela passasse pelo local para conversar. Imagens e relatos indicam que a jovem chegou a desviar o caminho de casa e seguiu até o ponto indicado”, explicou.
No local, os suspeitos teriam submetido a adolescente a uma espécie de interrogatório.
“O grupo teria verificado o celular da vítima e realizado uma espécie de interrogatório. Após analisarem o conteúdo, os suspeitos interpretaram que ela teria envolvimento na denúncia que levou à prisão do homem e decidiram matá-la”, disse Damasceno.
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