POLÍCIA
Caso Thamiris: vizinho suspeito de atrair jovem para morte é novamente solto
Além de Rodrigo “Farinha”, outro investigado pela morte de Thamiris também teve prisão revogada

A Justiça voltou a determinar a soltura de Rodrigo Faria Sena dos Santos, conhecido como “Rodrigo Farinha”, apontado pela Polícia Civil como um dos investigados pela morte da adolescente Thamiris Pereira, de 14 anos. A nova decisão foi cumprida nesta segunda-feira, 11, menos de dois meses após o crime que chocou moradores de Salvador e Lauro de Freitas. A informação foi confirmada pela defesa do suspeito, representada pelo advogado Frederico Augusto Loureiro.
Rodrigo estava custodiado na sede da Polinter, nos Barris. Ele já havia deixado a prisão no dia 18 de abril, após a Justiça entender que não havia elementos suficientes para mantê-lo detido e considerar que ele não apresentava risco à sociedade em liberdade. Dias depois, no entanto, voltou a ser preso. Agora, a prisão foi novamente revogada.
O caso da adolescente está prestes a completar dois meses. Thamiris desapareceu no dia 12 de março, após sair da escola, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, e foi encontrada morta uma semana depois, em um terreno baldio na região do Cassange, em Salvador.
Nova soltura
Segundo a defesa, a decisão favorável foi tomada ainda na última sexta-feira, mas o cumprimento do alvará de soltura sofreu atraso devido a um erro no encaminhamento do documento.
Posicionamento da defesa
Em conversa com o portal A TARDE, o advogado Frederico Augusto Loureiro comentou a nova decisão judicial.
"Na última sexta-feira, a Justiça entendeu por bem acatar o pedido de reconsideração da prisão e determinou a sua revogação, compartilhando do entendimento de que, até o momento, não foram apresentados indícios concretos que o vinculem a esse crime."
"A magistrada também esboçou o entendimento de que não existem, nos autos, prova de que, em liberdade, ele possa interferir na investigação."
"A ordem de soltura saiu na sexta feira e só não foi cumprida no final de semana porque o alvará terminou sendo encaminhado para o local errado. Foi enviado para o COP na Mata Escura enquanto ele estava sendo mantido na sede da Polinter, nos Barris."
Outro suspeito beneficiado
O terceiro investigado apontado pela Polícia Civil, Leandro de Jesus Ferreira, irmão de Davi de Jesus Ferreira, também teve a prisão revogada. Segundo informações obtidas pela reportagem, a juíza estendeu a ele o mesmo benefício concedido a Rodrigo, após pedido apresentado pela defesa.

Leandro havia sido preso no dia 27 de março, no município de Lamarão, após fugir. Ele é apontado nas investigações como liderança do tráfico de drogas em Itinga e suspeito de participação direta na execução da adolescente.
Investigação e suspeitos
Durante as investigações, a Polícia Civil passou a apontar a participação de três suspeitos. Entre eles, Rodrigo “Farinha”, vizinho da vítima, que, segundo a apuração, teria atraído a adolescente até o local onde o crime ocorreu. Ele chegou a integrar grupos de busca formados por moradores durante o período em que Thamiris estava desaparecida.

Outro investigado, Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, já estava preso desde fevereiro por violência doméstica e é suspeito de ter ordenado o assassinato de dentro do Complexo Penitenciário da Mata Escura. A motivação, conforme a linha investigativa, seria uma suposta vingança, após a crença de que a adolescente teria denunciado o crime à polícia, fato que não foi confirmado, e seu irmão, Leandro de Jesus Ferreira.
Dinâmica do crime
As investigações indicam que Thamiris foi levada a um ponto previamente combinado após sair da escola. No local, teria sido submetida a uma espécie de julgamento informal antes de ser morta, em uma prática semelhante ao chamado “tribunal do crime”.
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Na época, em entrevista ao portal A TARDE, o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, relatou que o crime pode ter sido motivado por vingança.
“A principal linha de investigação da polícia aponta que Thamiris foi morta por um indivíduo ou por pessoas ligadas a um rapaz preso no dia 20 de fevereiro. Ele foi detido por violência doméstica e acredita que a adolescente teria acionado a Polícia Militar para denunciá-lo”, afirmou.
Ainda segundo o delegado, a jovem teria sido atraída até um ponto específico após sair da escola.
“Por esse motivo, Tamires teria sido chamada para uma conversa pelo grupo, que, segundo as investigações, possui ligação com o tráfico de drogas na localidade. A orientação era que, ao sair da escola, ela passasse pelo local para conversar. Imagens e relatos indicam que a jovem chegou a desviar o caminho de casa e seguiu até o ponto indicado”, explicou.
No local, os suspeitos teriam submetido a adolescente a uma espécie de interrogatório.
“O grupo teria verificado o celular da vítima e realizado uma espécie de interrogatório. Após analisarem o conteúdo, os suspeitos interpretaram que ela teria envolvimento na denúncia que levou à prisão do homem e decidiram matá-la”, disse Damasceno.
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