EM BUSCA DE JUSTIÇA
Caso Valdir Macário: quase 10 anos após crime, terceiro suspeito segue sem identificação
Homem aparece em imagens ao lado de Patrick, réu que será julgado em 25 de agosto


Às vésperas de completar dez anos do assassinato do cabeleireiro Valdir Macário, em 12 de novembro deste ano, a família dele segue em busca de respostas sobre a participação de um terceiro homem no crime. Ele aparece nas imagens das câmeras de segurança do estabelecimento ao lado de Patrick Ribeiro Tupinambá, um dos acusados que vai a Júri Popular no próximo dia 25 deste mês.
No vídeo, o suspeito aparece trajando calça escura, camisa rosa e boné vermelho. Valdir foi morto dentro do banheiro do salão na presença de clientes e funcionários.
Em coletiva à imprensa, em janeiro de 2017, o delegado José Bezerra, então diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou que ele teria sido o responsável por matar Valdir com tiros de pistola calibre.40.
Na ocasião, Patrick, mais conhecido como Bagão, aparece portando uma arma de grosso calibre dando apoio à ação e rendendo as outras vítimas.

Até hoje, além de Patrick, apenas Edgar da Silva Santos, o Chocolate, que seria o mandante do crime, foram identificados e presos. Os dois são réus no processo e deverão ser submetidos ao Tribunal do Júri.
"Gostaria de saber [quem é o outro suspeito que aparece nas imagens das câmaras de segurança ao lado de Patrick]. Também tenho o mesmo anseio de todos em saber. Porque se um [suspeito] fica lá embaixo e subiram dois, então, foram quantos?", questiona a empreendedora Aldísia Macário, irmã de Valdir.
Espera e revolta
A indefinição revolta os familiares, que, além de aguardarem o julgamento dos dois réus já identificados, cobram respostas sobre a pessoa que aparece nas imagens e que, até quase uma década depois do crime, não foi identificada.
Aldísia afirma que a família convive há anos não apenas com a saudade, mas também com a sensação de que o caso permanece incompleto. Para ela, a demora da Justiça prolonga um sofrimento que começou com a morte do irmão.
"Há quase dez anos, nossa família vive uma dor que não teve pausa. Nossa dor não é só saudade. É revolta, é cansaço, é um luto que não se encerra porque a justiça não acontece. O que pedimos é o básico. Que o caso seja julgado, que os responsáveis respondam pelo que fizeram e que a vida do nosso irmão seja tratada com a dignidade que sempre teve. Esperar por justiça não deveria ser tão cruel", desabafa ela.
Polícia Civil concluiu investigação em 2017
Procurada pelo A TARDE para falar sobre o andamento das investigações para identificar o terceiro suspeito, a Polícia Civil da Bahia informou que o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em março de 2017.
Segundo a corporação, as investigações foram encerradas naquele momento em relação aos envolvidos identificados. Desde então, o procedimento não teria retornado à Polícia Civil para a realização de novas diligências.

"Em relação ao caso de Valdir Macário, informamos que o Inquérito Policial foi remetido ao Poder Judiciário em 13 de março de 2017, após a conclusão das investigações sobre os envolvidos identificados à época. Desde então, o procedimento não retornou à Polícia Civil para novas diligências. Para mais informações a respeito das solicitações, sugerimos o contato com o Poder Judiciário", diz a nota.
A resposta indica que, segundo a Polícia Civil, não há atualmente uma investigação complementar em andamento na instituição para tentar identificar o homem que aparece nas imagens.
Sem resposta
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/BA) foi questionado, por meio de sua assessoria de comunicação, especificamente sobre a razão pela qual o inquérito ainda não teria retornado à Polícia Civil e sobre a existência de providências para identificar o terceiro suspeito de envolvimento no crime.
No entanto, TJ/BA, não falou diretamente à pergunta sobre a investigação. Em resposta, informou apenas que o julgamento dos réus Patrick e Edgar foi novamente redesignado.
"Informamos que a Sessão do Tribunal do Júri referente aos réus mencionados foi redesignada para o dia 25 de agosto de 2026, às 8h, no Salão do Júri do Fórum Ruy Barbosa", diz um trecho da nota.
A reportagem voltou a questionar sobre o andamento do processo, mas, até a publicação desta matéria, não obteve retorno.
O Ministério Público da Bahia (MP/BA) também foi procurado para informar se há alguma providência ou investigação em curso relacionada à identificação do homem que aparece nas imagens, mas também não respondeu aos questionamentos em tempo hábil.
O A TARDE reforça que o espaço permanece aberto para possíveis esclarecimentos.
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Adiamento Júri Popular
Esta é a quarta vez que o julgamento dos acusados é adiado. O adiamento mais recente ocorreu nesta quinta-feira, 6, quando Patrick compareceu ao Fórum Ruy Barbosa sem advogado.
Segundo informações, ele teria comunicado que seus defensores haviam deixado o caso na quarta-feira, 5, um dia antes da sessão. Como Patrick e Edgar respondem ao processo em conjunto, o julgamento de ambos acabou sendo remarcado.
"Diante da discordância da Defesa do réu Edgar santos da Silva quanto à cisão do julgamento, fica a proposição prejudicada. Intime-se a Defensoria Pública para prestar assistência jurídica ao acusado Patric Ribeiro Tupinambá. Fica a Sessão de Julgamento redesignada para o dia 25 de agosto de 2026, às 8h, no Salão do Júri do Fórum Ruy Barbosa. Ficam intimadas as testemunhas presentes. Oficie-se a Unidade Prisional a fim que seja requisitado o acusado Patric Ribeiro Tupinambá para comparecer à Sessão de Julgamento redesignada", detalha o TJ/BA.


