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POLÍCIA

CV impõe “governo paralelo” e dita regras em bairros dominados

Polícia identifica atuação da facção com controle social, imposição de normas e uso de moradores para monitorar ações policiais

Luan Julião

Por Luan Julião

31/03/2026 - 16:14 h

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Pichação do Comando Vermelho (CV)
Pichação do Comando Vermelho (CV) -

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou que integrantes do Comando Vermelho (CV) vinham exercendo uma espécie de “governo paralelo” em comunidades da região metropolitana de Cuiabá. O esquema foi alvo da Operação Ruptura CPX, deflagrada na manhã desta terça-feira, 31.

De acordo com as apurações, o grupo criminoso não se limitava à prática de delitos como tráfico de drogas e roubos, mas também estabelecia regras próprias dentro das áreas dominadas, controlando a circulação de pessoas e determinando como atividades ilícitas deveriam ocorrer.

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Controle rígido e regras impostas

O principal foco de atuação identificado foi o Complexo Residencial Isabel Campos (CPX), onde a facção mantinha forte presença. No local, criminosos precisavam comunicar previamente qualquer ação aos responsáveis da organização, sob risco de punições internas.

As investigações também apontaram que havia uma divisão territorial bem definida, com integrantes responsáveis por bairros específicos, reforçando a estrutura hierárquica e o controle direto sobre as comunidades.

Além disso, a facção incentivava que seus membros residissem nas áreas dominadas, ampliando a influência local e facilitando a manutenção desse “sistema de governança”.

Vigilância e domínio social

Outro ponto destacado pelas autoridades foi o uso de moradores como informantes. Segundo a polícia, integrantes da facção obrigavam pessoas da comunidade a monitorar a movimentação de viaturas e repassar informações em tempo real, dificultando operações policiais.

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A estratégia fazia parte de um conjunto de ações voltadas a manter o domínio territorial e evitar a repressão do Estado.

Estrutura criminosa e atuação coordenada

As investigações, conduzidas por unidades especializadas da Polícia Civil, identificaram ainda uma organização interna bem definida, com divisão de funções, cobrança de taxas entre membros e uso de contas de terceiros para ocultar dinheiro de origem ilícita.

O grupo é investigado por crimes como tráfico de drogas, roubos de veículos, furtos de armas e defensivos agrícolas, além de lavagem de dinheiro e apologia ao crime.

Mandados em três estados

Ao todo, estão sendo cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e também em São Paulo.

Entre os alvos está um investigado conhecido como MC, apontado como responsável por ajudar a divulgar conteúdos que exaltavam a facção e suas lideranças, além de prestar apoio logístico ao grupo.

Objetivo da operação

O nome da operação faz referência justamente à tentativa de romper essa estrutura de domínio territorial e influência social criada pela facção, que buscava se impor como autoridade dentro das comunidades da Grande Cuiabá.

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