POLÍCIA
Influencer que produzia conteúdo de videogame é preso por pedofilia
Investigação aponta que o suspeito prometia dinheiro virtual em troca de fotos íntimas

O influenciador digital Matheus Martins, conhecido nas redes sociais como "Spoteff", foi preso preventivamente nesta terça-feira, 30, em Florianópolis (SC). A prisão integra a Operação Game Over, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) para desarticular uma rede de exploração sexual infantojuvenil no ambiente virtual. O investigado possui mais de 80 mil seguidores e concentrava sua produção de conteúdo em jogos populares entre crianças e adolescentes.
A ação foi coordenada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, contando com o suporte operacional da Polícia Civil de Santa Catarina.
Durante o cumprimento do mandado, os agentes apreenderam um computador e um aparelho celular pertencentes ao suspeito, nos quais os peritos localizaram arquivos de conteúdo ilícito.
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O modus operandi do investigado
A engenharia social utilizada pelo criador de conteúdo baseava-se na atração de um público vulnerável por meio de nichos de jogos digitais de grande alcance e promessas de vantagens virtuais:
- Atração e Isca: Martins aproveitava a relevância de seus canais de transmissão focados nos jogos Roblox e Minecraft para estabelecer contato direto com os menores. Ele prometia às vítimas o repasse de moedas virtuais utilizadas nesses jogos, além de táticas para inflar o número de seguidores nas redes sociais das crianças;
- Exigência de Conteúdo: Como contrapartida para a liberação dos benefícios prometidos, o influenciador estipulava "desafios" que consistiam no envio de fotografias e arquivos de vídeo com conotação sexual explícita;
- Extorsão e Coação: Após o recebimento das mídias, o investigado suspendia a entrega das moedas digitais e passava a ameaçar as vítimas. Sob o pretexto de encaminhar o material íntimo aos pais e familiares dos menores, ele chantageava as crianças para forçar o envio de novos registros.
Origem do inquérito e canais de denúncia
As investigações do DHPP foram iniciadas a partir do registro de uma denúncia formalizada pelos responsáveis de uma criança de 10 anos, que relatou os detalhes da abordagem do influenciador.
Devido ao grande volume de interações nos perfis do investigado, o comissariado de polícia trabalha com a hipótese de que o número de vítimas seja significativamente maior do que o catalogado inicialmente.
As autoridades orientam que pais e responsáveis que identificarem interações suspeitas de seus filhos com os perfis do influenciador procurem a delegacia mais próxima ou façam o registro da denúncia de forma anônima por meio do Disque 100 (Direitos Humanos) ou do Disque 181 (Polícia Civil).



