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Léo Lanches: PM presa passa por audiência de custódia nesta quarta

Polcial ficou em silêncio ao ser detida na terça, após análise de câmeras corporais e depoimentos

Victoria Isabel e Luiza Nascimento
Por Victoria Isabel e Luiza Nascimento
Léo Lanches
Léo Lanches - Foto: Reprodução / Redes Sociais

A policial militar presa pela morte do comerciante Leonardo Gil Lima, o “Leo Lanches”, passará por audiência de custódia nesta quarta-feira, 5. A agente, que segundo informações obtidas com exclusidade pelo portal A TARDE se chama Valdilene Nonato França Santos, ficou em silêncio durante depoimento realizado no ato da prisão, na terça, 4.

Em conversa com a reportagem, a delegada Zaira Pimentel, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), unidade responsável pelas investigações, informou que houve uma perícia complementar no dia seguinte do crime, devido à repercussão do caso e clamor familiar.

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Após oitivas de testemunhas e policiais e também das análise do circuito de câmeras corporais que os policiais portavam no momento da ação, a unidade chegou à conclusão de que seria necessário o pedido de prisão, que prontamente foi deferido pelo Poder Judiciário.

"Ela exerceu direito de silêncio, estava acompanhada de advogados, foi custodiada no Batalhão de Choque da Polícia Militar e está à disposição da Justiça, que provavelmente vai ser submetida na data de hoje à audiência de custódia", disse Zaira.

Zaira Pimentel, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico)
Zaira Pimentel, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) - Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

Investigação continua e deve ser concluída em até 30 dias

Outro policial, que estava presente no momento do assassinato de Léo, também prestou depoimento, e confirmou os indícios que já estavam em análise pela corporação.

"Todos os depoimentos tiveram relevância. Obviamente que o depoimento da família vem com uma carga emocional muito grande, então nós priorizamos a prova técnica. Mas o depoimento do policial confirmou algumas coisas que já foram analisadas dentro do contexto dos relatórios de imagem", explicou a titular.

Mesmo com a prisão de Valdilene, as investigação continuam para analisar de oitivas e laudos periciais. Agora, a unidade tem até 30 dias para concluir a investigação por completo e encaminhar ao Poder Judiciário.

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Imagens da câmera corporal não serão divulgadas

Fundamental para a prisão da PM, as imagens da câmera corporal que ela usou durante a ação, ainda não serão divulgadas, pois o inquerito está em sigilo e, por enquanto, serão acessadas apenas pelas autoridades competentes.

"A investigação é sigilosa ainda porque têm muitas pendências, tem muita coisa ainda a ser feita dentro daquele contexto de investigação. Alguns advogados podem até pedir acesso, mas será negado porque a investigação ainda continua. A investigação não é novela para a gente ficar dando cena de próximos capítulos", enfatizou a delegada.

Por fim, Zaira destacou a importância das câmeras corporais para a eficiência do trabalho policial.

"Assegura a conduta do policial e também analisa se houve um excesso naquela conduta ou não. Mas é uma realidade na Bahia e as forças policiais elas entendem que de fato é importante também", concluiu.

Prisão da PM

Valdilene Nonato França Santos teve a prisão temporária cumprida nesta terça-feira, 4, no bairro da Pituba, em Salvador. A ação foi realizada por equipes da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

A apuração do caso começou após o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ser informado sobre o crime. Desde então, investigadores da 1ª DH/Atlântico, com suporte da Agência de Inteligência do DHPP, realizaram uma série de diligências para reconstruir a dinâmica do homicídio.

Durante a investigação, foram coletados depoimentos de testemunhas, analisadas imagens de câmeras corporais utilizadas pelos policiais e solicitadas perícias técnicas para auxiliar no esclarecimento do caso.

A Polícia Civil informou que, após a análise dos elementos reunidos e a conclusão de laudos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), foi possível apontar a arma responsável pelo disparo que matou o comerciante. Com base nas informações obtidas, a corporação solicitou a prisão temporária da policial investigada.

A medida foi autorizada pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, após manifestação favorável do Ministério Público. Após o cumprimento do mandado, a soldado foi levada para a sede do DHPP, onde passou pelos procedimentos legais. Em seguida, foi encaminhada para uma unidade prisional militar, onde ficará à disposição da Justiça.

As investigações continuam para esclarecer a motivação do crime, detalhar como ocorreu o homicídio e verificar a participação de possíveis outros envolvidos.

Relembre o caso

A morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como “Léo Lanches”, de 33 anos, aconteceu no dia 23 de julho, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, durante uma ação da Polícia Militar.

O caso passou a ser investigado após versões diferentes sobre como o comerciante foi atingido. Segundo a Polícia Militar, equipes da 49ª Companhia Independente da PM realizavam patrulhamento na localidade de Lessa Ribeiro quando encontraram homens armados. A corporação informou que houve uma troca de tiros e que, após a ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado.

A versão apresentada por familiares e moradores da região é diferente. Eles afirmam que não houve confronto no local onde o vendedor foi atingido e relatam que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi baleado por uma policial na porta da própria casa.

Após o caso, os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. A ocorrência passou a ser investigada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.

Durante a apuração, testemunhas relataram uma dinâmica diferente da apresentada inicialmente pela corporação. Uma vizinha afirmou que viu Leonardo cair ao lado da motocicleta após ser atingido e disse que ele havia acabado de chegar do trabalho. Um amigo contou ainda que conversava com o vendedor por telefone poucos minutos antes da morte e ouviu os disparos durante a ligação.

A investigação busca esclarecer um dos principais pontos do caso: de onde partiu o disparo que matou Leonardo Gil Lima. Imagens das câmeras corporais dos policiais e outros elementos da ocorrência serão analisados pelas autoridades.

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Tags

Câmera Corporal HOMICÍDIO investigação

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