POLÍCIA
Morte de Léo Lanches: PM suspeita de matar vendedor em São Cristóvão é presa
Comerciante morreu após ser baleado durante uma ação da PM


Uma policial militar investigada pela morte do comerciante Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como “Leo Lanches”, teve a prisão temporária cumprida nesta terça-feira, 4, no bairro da Pituba, em Salvador. A ação foi realizada por equipes da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Leonardo foi morto a tiros no dia 23 de julho, na Rua Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, durante uma ocorrência envolvendo policiais militares. Segundo as informações da investigação, a vítima chegou a ser levada para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

Investigação apontou arma utilizada no crime
A apuração do caso começou após o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ser informado sobre o crime. Desde então, investigadores da 1ª DH/Atlântico, com suporte da Agência de Inteligência do DHPP, realizaram uma série de diligências para reconstruir a dinâmica do homicídio.
Durante a investigação, foram coletados depoimentos de testemunhas, analisadas imagens de câmeras corporais utilizadas pelos policiais e solicitadas perícias técnicas para auxiliar no esclarecimento do caso.
A Polícia Civil informou que, após a análise dos elementos reunidos e a conclusão de laudos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), foi possível apontar a arma responsável pelo disparo que matou o comerciante. Com base nas informações obtidas, a corporação solicitou a prisão temporária da policial investigada.
A medida foi autorizada pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, após manifestação favorável do Ministério Público.
Suspeita será encaminhada para unidade prisional militar
Após o cumprimento do mandado, a soldado foi levada para a sede do DHPP, onde passou pelos procedimentos legais. Em seguida, ela será encaminhada para uma unidade prisional militar, onde ficará à disposição da Justiça.
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As investigações continuam para esclarecer a motivação do crime, detalhar como ocorreu o homicídio e verificar a participação de possíveis outros envolvidos.
Relembre o caso
A morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como “Léo Lanches”, de 33 anos, aconteceu no dia 23 de julho, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, durante uma ação da Polícia Militar.
O caso passou a ser investigado após versões diferentes sobre como o comerciante foi atingido. Segundo a Polícia Militar, equipes da 49ª Companhia Independente da PM realizavam patrulhamento na localidade de Lessa Ribeiro quando encontraram homens armados. A corporação informou que houve uma troca de tiros e que, após a ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado.
A versão apresentada por familiares e moradores da região é diferente. Eles afirmam que não houve confronto no local onde o vendedor foi atingido e relatam que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi baleado por uma policial na porta da própria casa.
Após o caso, os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. A ocorrência passou a ser investigada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.
Durante a apuração, testemunhas relataram uma dinâmica diferente da apresentada inicialmente pela corporação. Uma vizinha afirmou que viu Leonardo cair ao lado da motocicleta após ser atingido e disse que ele havia acabado de chegar do trabalho. Um amigo contou ainda que conversava com o vendedor por telefone poucos minutos antes da morte e ouviu os disparos durante a ligação.
A investigação busca esclarecer um dos principais pontos do caso: de onde partiu o disparo que matou Leonardo Gil Lima. Imagens das câmeras corporais dos policiais e outros elementos da ocorrência serão analisados pelas autoridades.
Jerônimo se manifesta sobre o caso
O caso também repercutiu no governo do estado. Nesta terça-feira (4), o governador Jerônimo Rodrigues comentou a prisão da policial militar investigada e afirmou que determinou rigor na apuração dos fatos.
"Primeiro, os meus sentimentos pela perda do jovem. Me solidarizo com a família, com a mãe, principalmente, com os filhos e com a comunidade. E a minha determinação ao secretário Marcelo Werner foi que houvesse rigor. Nós não tratamos com exagero em nenhuma parte. A polícia tem que ser firme, tem que ser forte, mas sem exageros. E a Justiça cuidou disso."
O governador também destacou que a investigação deve seguir respeitando o devido processo legal e o direito de defesa da policial.
"Na sexta-feira, havia um movimento, um diálogo com o Ministério Público, já nesse sentido. Mas a decisão, a pedido do Ministério Público, foi da Justiça. Então, eu espero que seja apurado. A PMFEM vai ter o direito de se defender, mas com prova de rigor no que nós queremos fazer. É justo que ela seja ouvida e julgada. É o que está posto."


