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OPERAÇÃO ARTEMIS

Líder de facção preso na Bolívia tem condenação de 28 anos por sequestro e morte

Sentença foi proferida no início deste ano; juiz autorizou que ele recorresse em liberdade

Andrêzza Moura
Por

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Kékeu é apontado com partícipe de cerca de 100 mortes
Kékeu é apontado com partícipe de cerca de 100 mortes - Foto: Divulgação SSP-BA/ Montagem

Apontado como líder de uma facção com atuação no bairro do Engenho Velho de Brotas, em Salvador, e com ligação com o Comando Vermelho (CV), Kleber Nóbrega Pereira, o Kékeu, foi preso na madrugada deste domingo, 10, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Ele e a esposa, Micaely Santos Silva, estavam com mandados de prisão em aberto e foram capturados durante a Operação Artemis, realizada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Polícia Federal, Polícia Civil, FICCO Bahia, Interpol e pela polícia boliviana (FELCN).

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Kékeu e a mulher estavam na Bolívia desde 2022, segundo informações da SSP-BA
Kékeu e a mulher estavam na Bolívia desde 2022, segundo informações da SSP-BA | Foto: Divulgação SSP-BA

Investigações policiais dão conta de que Kékeu tem envolvimneto em mais de 100 homicídios, entre participações diretas, ordens e atuação estratégica dentro da facção. O A TARDE teve acesso a informações que indicam que, entre as vítimas dele, está Renay Conceição Correia, sequestrado e morto em março de 2009.

Por este crime, Kékeu foi condenado no início deste ano pela Justiça da Bahia. A reportagem teve acesso ao processo através de consulta pública no site do TJ-BA onde o juiz Daniel Serpa de Carvalho o condenou a 28 anos de prisão em regime fechado pelo crime de extorsão mediante sequestro qualificado pelo resultado morte.

O crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o crime aconteceu na madrugada de 7 de março de 2009, no bairro Novo Horizonte, em Feira de Santana, a 115 KM de Salvador.

Renay Conceição Correia pilotava uma motocicleta Honda Biz azul quando foi interceptado por um grupo de homens. Conforme os autos, a vítima foi derrubada da moto, espancada até perder a consciência e colocada à força dentro de um Fiat Pálio grafite, sendo levada para um cativeiro.

Casal deve permanecer custodiado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul,
Casal deve permanecer custodiado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, | Foto: Reprodução

A investigação apontou ainda que Kékeu comandou a fase de extorsão do crime. Segundo a sentença, ele realizava ligações telefônicas para os familiares da vítima exigindo dinheiro em troca da libertação de Renay.

Durante o período em cativeiro, a família chegou a entregar aos suspeitos R$ 17 mil. O pagamento foi feito em um posto de combustível na BR-324, próximo à região da Brasilgás, em Salvador. Depois, houve um segundo repasse de valor, desta vez, R$ 13 mil, e mais um revólver calibre 38.

Mesmo após os pagamentos, Renay foi assassinado. O corpo dele foi encontrado no dia 12 de março, no Centro Industrial de Aratu (CIA), com várias marcas de tiro. O laudo cadavérico anexado ao processo confirmou oficialmente a execução.

A sentença

Na sentença, o magistrado afirmou que Kleber exercia “liderança intelectual e operacional” no grupo criminoso e destacou a “frieza” do acusado por continuar negociando valores com a família mesmo após a decisão de matar a vítima.

Além de Kékeu, também foi condenado Cristian Oliveira de Almeida, conhecido como Dudu, apontado como um dos executores do sequestro.

Ele recebeu pena de 26 anos de prisão. Outros dois acusados no processo, Glauber Ribeiro Bicalho e Mário Sérgio Souza dos Santos, morreram durante a tramitação da ação penal e tiveram a punibilidade extinta.

A Justiça reconheceu apenas a prescrição do crime de formação de quadrilha, mas manteve integralmente a condenação pelo sequestro seguido de morte, considerado crime hediondo.

Os condenados também foram obrigados a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais à família de Renay.

Recursos e medidas cautelares da Justiça

Apesar da condenação, as defesas dos réus recorreram da decisão. Conforme registrado em audiência, os advogados de Kleber Nóbrega Pereira e Cristian Oliveira de Almeida interpuseram recurso de apelação após a publicação da sentença. O Ministério Público, por outro lado, renunciou ao prazo recursal.

Na decisão, o juiz autorizou que os réus recorressem em liberdade, mas destacou que ambos estavam em paradeiro incerto e haviam sido declarados revéis durante o processo por não comparecerem às audiências e não manterem os endereços atualizados perante a Justiça.

O magistrado determinou medidas cautelares, como suspensão de CPF e CNH, além da obrigação de informar endereço atualizado.

A sentença também estabeleceu que os mandados de prisão definitivos só deveriam ser expedidos após o trânsito em julgado da ação penal. O A TARDE não conseguiu confirmar se a prisão de Kékeu está relacionada à condenação pela morte de Renay.

Prisão e vida de luxo na Bolívia

Segundo informações das forças de segurança, Kékeu e a mulher, Micaely Santos Silva, estavam escondidos na Bolívia desde 2022. O casal vivia em uma casa de luxo localizada no bairro Equipetrol, em Santa Cruz de La Sierra, avaliada em cerca de US$ 1,2 milhão - aproximadamente R$ 6 milhões.

Casal vivia nessa casa avaliada em 1,2 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões
Casal vivia nessa casa avaliada em 1,2 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões | Foto: Divulgação SSP-BA

As investigações revelaram que Micaely atuava na movimentação financeira e na lavagem de dinheiro da organização criminosa.

Micaely é apontada pela polícia como responsável pela parte financeira da organização criminosa
Micaely é apontada pela polícia como responsável pela parte financeira da organização criminosa | Foto: Divulgação SSP-BA

Após a prisão, o casal segue sob custódia da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). O processo de extradição foi concluído ainda neste domingo, 10, e os dois devem permanecer custodiados em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em local mantido sob sigilo.

Além da condenação pela morte de Renay, Kékeu é investigado por tráfico de drogas e armas, homicídios, roubos, corrupção de menores e lavagem de dinheiro.

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Segundo fontes policiais, ele acumulava cerca de 15 anos de atuação criminosa e era considerado um dos principais articuladores do crime organizado na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

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Polícia Civil polícia federal Sequestro tráfico

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