POLÍCIA
"Não tem volta": pai de jovem morto por PMs busca justiça em Salvador
Os réus respondem pela morte de Geovane Mascarenhas de Santana, ocorrida em 2014, em um caso marcado por requintes de crueldade

Onze anos após o assassinato de Geovane Mascarenhas de Santana, o Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, é palco, nesta segunda-feira, 27, do julgamento de sete policiais militares acusados de um dos crimes mais cruéis da história recente da Bahia. O jovem, que tinha 23 anos e era torcedor apaixonado do Bahia, foi abordado, sequestrado, torturado e teve seu corpo mutilado, com partes descartadas em locais diferentes da capital baiana.
Os réus: Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira, respondem por homicídio qualificado, roubo qualificado e ocultação de cadáver.
"Coração machucado"
Para Jurandyr Silva de Santana, pai de Geovane, o início do júri traz à tona um sofrimento que se arrasta por mais de uma década. "O coração está machucado. São 12 anos nessa luta e não é fácil. Quem fez o erro que pague. Eu não estou aqui para julgar ninguém, quem julga é a justiça", desabafou Jurandyr, que descreveu o filho como um jovem sonhador, trabalhador e um parceiro de vida.
O pai relembrou a última vez que viu o filho: "Ele saiu para fazer umas comprinhas para fazer uma lasanha. Foi abordado, apanhou, jogaram no fundo da viatura. Torturaram ele vivo, arrancaram cabeça e mão". Jurandyr ressaltou ainda a ausência de respostas sobre a motivação: "Até hoje a moto dele não apareceu, um relógio que ele estava no braço não apareceu. É uma pergunta que não tem resposta e agora não tem volta".
A busca por condenação
O advogado da família, Paulo Kleber, reforçou a expectativa por uma sentença condenatória, destacando as dificuldades enfrentadas durante o processo. "A defesa dos policiais tentou a todo momento desqualificar Geovane e o pai dele, usando a velha tática de atacar a pessoa e não os fatos. A nossa expectativa hoje é condenação. Queremos 50 anos de pena", afirmou.
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Kleber também pontuou o papel fundamental da imprensa e do Ministério Público da Bahia (MP-BA) na manutenção da verdade dos fatos ao longo desses 11 anos. "A verdade ela não muda, ela é uma só. Se não for hoje, vai ser amanhã, mas eles sairão daqui condenados", concluiu o advogado.
O julgamento, que teve início às 8h, deve se estender pelos próximos dias devido à complexidade do caso e ao número de acusados.
Ao portal A TARDE, a SSP-BA informou que "ressalta que todas as informações referentes às investigações realizadas pelas Polícias Civil e Militar foram repassadas para o Poder Judiciário".
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