POLÍCIA
Pai de santo é acusado de queimar umbandistas em terreiro na Bahia
Vítimas relataram agressão através de charutos e ferro de passar


Um pai de santo está sendo investigado por queimar umbandistas no município de Araci, no nordeste da Bahia. Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como “Luiz Curador”, teria usado charutos e ferros quentes para realizar as agressões a pelo menos quatro pessoas.
O episódio ocorreu no dia 30 de abril, durante rituais religiosos, de acordo com a TV Subaé. As vítimas passaram por exames periciais por lesão corporal. Em depoimentos, os umbantistas relataram ter ficado confinados por dias em quartos escuros, sem acesso adequado à higiene básica, com a justificativa de proteção divina e preparação espiritual.
Segundo a denúncia, as vítimas passaram dias recolhidas em quartos do terreiro, privadas de banho e de outras necessidades básicas de higiene. Uma delas contou que precisou fazer necessidades fisiológicas em um balde.
“Colocaram uma esteira lá com as folhas, a gente deitava e colocava água e a gente tomava. A gente fazia as necessidades em um baldinho lá e escovava os dentes só quando saía”, contou uma das vítimas à TV.
A Delegacia Territorial de Araci investiga o caso registrado como lesão corporal dolosa. Oitivas seguem sendo realizadas para esclarecer as circunstâncias do caso.
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O que diz a Fucabase?
A Federação de Umbanda e Cultos Afro da Região de Serrinha (Fucabase) acompanha o caso e garante que esse tipo de ritual não costuma acontecer em religiões de matriz africana.
A entidade ressalta que a prática era exercida durante a escravidão e que pode configurar tortura. Desta forma, será solicidado o afastamento dele.
A federação também apontou que os atos podem ser enquadrados como lesão corporal grave ou gravíssima, principalmente nos casos em que há deformidades permanentes causadas pelas queimaduras.
Terreiro nega acusações
Nas redes sociais, integrantes do Terreiro de Oxóssi negaram as acusações e afirmaram que as denúncias são "intolerância religiosa". Além disso, ressaltou que cada local possui práticas próprias.
"Reafirmamos com total clareza que, em nenhum momento, qualquer filho ou filha de santo foi obrigado(a) a realizar qualquer tipo de prática contra a sua vontade, muito menos submetido(a) a qualquer forma de tortura física ou psicológica. As acusações divulgadas são infundadas e não correspondem à realidade vivida dentro da nossa casa. Repudiamos veementemente tais alegações, que consideramos fruto de desinformação e, sobretudo, de perseguição religiosa", disse trecho.
O terreiro garantiu ainda que está tomando as devidas providências para esclarecer o caso.


