'ABUSO DE AUTORIDADE'
PMs são condenados por tortura após fazerem 'roleta-russa' com jovem
Prática consiste em acionar um revólver após girar o tambor com uma única bala

Dois policiais militares foram condenados por conta de uma abordagem violenta em uma comunidade conhecida como Caixa d’Água, na zona leste de São Paulo, em fevereiro do ano passado. Na ocasião, um dos policiais ameaçou atirar contra a cabeça de um adolescente, na prática conhecida como “roleta-russa”.
As câmeras corporais usadas pelos agentes registraram o momento da ação.
▶️ TJMSP condena PMs por roleta-russa contra adolescente
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) July 20, 2026
O Tribunal de Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares por tortura e abuso de autoridade após simularem uma roleta-russa apontada para a cabeça de um adolescente durante abordagem na comunidade Caixa… pic.twitter.com/vA1q1giQ5d
Entenda a situação
O policial, identificado como sargento Amauri dos Santos, coloca uma bala no tambor de um revólver e gira o dispositivo. A localização do projétil é desconhecida. Ele, então, aperta o gatilho, mas a arma não dispara. O movimento é conhecido como “roleta-russa”. Depois, o sargento ainda aponta o revólver para o pescoço da vítima.
O processo do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP) também menciona que, em outro momento, todos os policiais presentes viraram de costas para Amauri, depois de ele fazer um sinal enquanto apontava para a própria bodycam. De acordo com a acusação, o objetivo era “não filmar o sargento cometendo abusos”.
Além do sargento Amauri, outro policial, o cabo Sandro da Silva Nascimento, também foi flagrado apontando um revólver para o olho de um adolescente. Um soldado, que assistia às cenas, aparece na gravação rindo das cenas.
As ameaças e torturas teriam sido praticadas para forçar os adolescentes a darem informações sobre o tráfico de drogas na região.
Sentenças
Amauri dos Santos foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade e fraude processual, já que fez o gesto com as mãos para que as imagens não fossem captadas pelas câmeras corporais dos colegas.
A defesa do sargento contestou a acusação de fraude processual, afirmando que todas as cenas foram registradas pelas câmeras corporais dos policiais, além de alegar que a arma usada seria de brinquedo e, por isso, o adolescente não teria demonstrado qualquer expressão de temor nas imagens
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O oficial ainda responde por peculato, visto que entorpecentes apreendidos na comunidade desapareceram sob sua supervisão. Amauri era o encarregado da viatura em que o material foi armazenado depois da operação. O advogado dele afirma que o material apreendido pelos policiais não era droga, mas sim lixo, e foi descartado pela equipe.
O cabo Sandro Nascimento, por sua vez, foi condenado a quatro anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade. No processo, o advogado dele afirmou que o cabo cumpria sua função e “agiu movido pela vontade de combater o tráfico de drogas e combater o crime”.
Outros PMs que estavam no local são investigados.


