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Analista vê conservadorismo na vitória de Paes no Rio

Publicado domingo, 26 de outubro de 2008 às 18:31 h | Atualizado em 26/10/2008, 18:31 | Autor: Agencia Estado
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O Rio de Janeiro ficou dividido até o último momento da campanha do segundo turno, mas hoje optou pelo "conservadorismo" e elegeu o ex-deputado Eduardo Paes (PMDB) como novo prefeito da cidade. Para o cientista político Carlos Melo, doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com a eleição de Paes, o eleitorado carioca mostrou um lado "conservador", abandonando, por ora, a "tradicional rebeldia" que escolheu, entre outros, o ex-governador Leonel Brizola por duas vezes e que, neste pleito, levou o deputado Fernando Gabeira (PV) para o segundo turno.

De acordo com Melo, a "surpresa de última hora" desta eleição foi a chegada de Gabeira à segunda etapa, empatado com Paes. "O candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Crivella (Marcelo Crivella, do PRB) ficou pelo caminho, e Eduardo Paes teve de suar para ganhar essa eleição, mesmo com toda a popularidade do Cabral (Sérgio Cabral Filho, governador)", afirma. Melo afirma que o candidato derrotado do PV chegou a dizer que haveria uma onda favorável a ele, porque, segundo o cientista, esse tipo de atitude é "típica" do eleitor do Estado fluminense. "Por outro lado, há um eleitor conservador que deu a vitória a Eduardo Paes."

A parceria com os governos estadual e federal são a tônica do discurso de Paes. Para ele, foi válido todo o esforço feito durante a campanha para conseguir o apoio claro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Frisando a necessidade de tirar o Rio do "isolamento político", situação que credita ao ex-prefeito Cesar Maia (DEM), ele destaca: "O que eu quero é deixar claro para a população minha disposição de trabalhar com os três níveis de governo conjuntos".

Ações

Paes divide em três vetores suas primeiras ações à frente da prefeitura: a iluminação da cidade, o combate à violência com a Guarda Municipal e a atuação da prefeitura como "agente de promoção social". Ele também já elaborou um plano contra uma eventual epidemia de dengue no verão: trabalhar e treinar uma equipe própria, contratando temporariamente cerca de 1.800 agentes de saúde.

Crítico ferrenho de Lula durante o escândalo do "mensalão", Paes vê o segundo mandato do presidente "muito melhor do que o primeiro". Agora aliado, ele acredita que Lula conseguiu superar bem o escândalo, que investigou como integrante da CPI dos Correios. Cauteloso, Paes evita falar sobre a sucessão presidencial de 2010 e considera prematura a avaliação de que, se eleito, transformará o Rio em um palanque para o candidato do presidente Lula. "A gente tem que tratar de 2010 em 2010. Não é para ser tratado agora", desconversa.

Paes elegeu-se pelo PMDB, mas passou ao longo de sua vida política pelo PFL, PSDB e até PV, partido de seu adversário Fernando Gabeira. Sua vida pública começou cedo. Aos 23 anos, assumiu a subprefeitura de Jacarepaguá e da Barra e, aos 27, foi eleito vereador. Ele foi também deputado federal duas vezes. Seu último cargo público foi à frente da Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Lazer na gestão do governador Sérgio Cabral.

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