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Carrasco de Jair Bolsonaro no Exército recebe homenagens militares

Clauro Bortolli é autor do processo que pede a expulsão do ex-presidente das Forças Armadas

Yuri Abreu
Por
O ex-presidente Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Antonio Agusto/STF
Eleições 2026

O procurador-geral do Ministério Público Militar (MPM), Clauro Roberto de Bortolli, recebeu a Medalha Mérito Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. A condecoração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira, 9.

Bortolli é o responsável pelo processo que pede a expulsão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das Forças Armadas.

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O procurador recebeu a homenagem ao lado de outros seis civis e 59 militares. O documento foi assinado pelo almirante de esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire.

Em fevereiro, o MPM apresentou ao Superior Tribunal Militar (STM), sob a gestão de Bortolli, argumentos para sustentar que Bolsonaro teria demonstrado “descaso” com os preceitos éticos previstos no Estatuto dos Militares.

Procurador militar Clauro Roberto de Bortolli
Procurador militar Clauro Roberto de Bortolli - Foto: Divulgação/MPM

Processo pede perda de posto e patente

A ação do Ministério Público Militar solicita que o STM determine a perda do posto e da patente de Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, e de outros quatro militares: o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e os generais do Exército, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Os cinco foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo as informações do caso, eles cumprem penas que variam de 19 a 27 anos de prisão.

O STM ainda não definiu a data para o julgamento do pedido de perda de posto e patente. Em junho, a Corte Militar rejeitou uma solicitação da defesa de Bolsonaro para afastar, por suspeição, o ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo.

MPM aponta violações ao Estatuto dos Militares

A Constituição Federal prevê a possibilidade de perda de posto e patente de oficiais condenados a penas privativas de liberdade superiores a dois anos, após decisão judicial definitiva, conforme os procedimentos previstos no ordenamento jurídico.

O caso envolve a análise das consequências de condenações por crimes contra a democracia na carreira militar dos envolvidos.

Na ação, Bortolli afirmou que Bolsonaro teria utilizado estruturas do Estado, inclusive as Forças Armadas, para tentar impedir o funcionamento regular dos Poderes Constitucionais e se voltar contra o governo eleito democraticamente.

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“Não teve pudor para, valendo-se de estruturas do Estado, inclusive armadas, voltar-se, ao menos por um ano e meio, e através de grave ameaça e violência, contra o funcionamento regular dos Poderes Constitucionais e contra o governo democraticamente eleito”, afirmou o procurador.

O relatório do MPM também cita possíveis violações aos deveres de probidade, respeito à dignidade humana, cumprimento das leis e acatamento das autoridades civis.

Quem é Clauro Roberto de Bortolli

Natural de General Câmara, município a cerca de 80 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Bortolli ingressou no Ministério Público Militar em 1995. Três anos depois, foi promovido a procurador de Justiça Militar.

Em 2016, chegou ao cargo de subprocurador-geral de Justiça Militar. Também ocupou a função de vice-procurador-geral entre 2020 e 2024 e presidiu a Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) entre 2016 e 2017.

A recondução de Bortolli ao cargo de procurador-geral do MPM foi oficializada em abril, após portaria publicada em março no Diário Oficial da União. O documento, assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, registrou que a escolha seguiu o resultado da eleição do Colégio de Procuradores de Justiça Militar, que colocou Bortolli em primeiro lugar na lista tríplice.

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