ESTREIA
Com sala cheia, Salvador recebe documentário 963 dias de Michel Temer
Diretor Bruno Barreto e o ex-presidente discutem o cenário político e os bastidores da produção



A Associação Comercial da Bahia (ACB) celebrou seus 215 anos com a exibição do documentário 963 dias, dirigido por Bruno Barreto e focado no período presidencial de Michel Temer. O evento, só para conviados, ocorreu no UCI Orient Shopping da Bahia e reuniu autoridades, empresários e jornalistas nesta sexta, 14.

A presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou a escolha de Salvador como a primeira capital a receber o filme.
"Primeiro quero agradecer a generosidade do presidente Temer por escolher Salvador para ser a primeira capital para exibir o filme 963 dias, produzido brilhantemente pelo cineasta Bruno Barreto, que retrata um período delicado da construção da nossa República", afirmou.
Suarez relacionou o conteúdo da obra aos valores da instituição centenária (ACB). "A Associação Comerecial da Bahia, sempre teve uma característica muito particular, que é a opção pelo diálogo, a promoção do consenso, independente dos resultados agradarem, mas é como se apresentasse sempre uma saída", declarou.
A dirigente também pontuou a relação entre o enredo e a atuação midiática. "E ao mesmo tempo com reflexão em relação ao trabalho da imprensa. Ficou provado que não existiam provas exatamente sobre alguns episódios que foram amplarmente divulgaods pela imprensa, mas vimos que não era bem como estavam divulgando", pontuou Suarez.
O processo e produção do documentário

O diretor Bruno Barreto, em entrevista ao A TARDE, detalhou o processo de produção e a escolha estética da obra, que abrange os 963 dias da gestão de Michel Temer.
"O filme demorou muito tempo, sobretudo a edição, porque é construído na edição e eu fiz questão de não ter narrador. Se você for ver, a maioria dos documentários tem um narrador, porque o narrador é um dos recursos mais importantes no documentário para costurar a narrativa. Eu fiquei resistindo a colocar isso, porque ia dar um viés, ia dar um partido. Então, levou muito tempo para costurar a narrativa só com as entrevistas, sem o narrador, e deixar o espectador interpretar", explicou Barreto.
O cineasta definiu o recorte adotado no projeto. "Esse filme usa os 963 dias, que foi o tempo que o presidente Temer teve para governar, como um caso de estudo. Não é sobre ele, é sobre o que aconteceu naquele momento. A inflação estava caindo, os juros estavam caindo, ele (Temer) estava arrumando a casa. Por que ele foi implodido? Ele foi implodido tanto pela direita quanto pela esquerda. O que aconteceu ali? Eu não tenho uma resposta definitiva, mas o documentário é uma tentativa de tentar começar a entender o que aconteceu", excplicou Barreto.
Bruno também contextualizou o cenário político abordado. "E aquele foi o último governo que a gente teve antes da polarização. Depois, na minha opinião, a nova república acabou com aquele governo, porque a eleição do Bolsonaro já é outra coisa. E a volta do Lula já é outra coisa. Agora não é o Lula de antes, já é um Lula também mais polarizado. Então, é uma reflexão, eu não estou dando uma opinião, estou convidando o espectador, sobretudo os jovens, a refletirem", concluiu.
Temer fala sobre o filme e eleições na Bahia

Michel Temer comentou o teor da produção cinematográfica e respondeu a questionamentos sobre o cenário político regional e nacional, em entrevista ao A TARDE.
"O filme não é chapa branca, não é pra me elogiar, é apenas pra contar os fatos e nada mais do que isso. Assim como as coisas que nós fizemos, por exemplo, a recuperação do produto interno bruto, a história da recuperação das estatais, da petrobrás, a história da primeira medida de saneamento", declarou Temer.
Na entrevista, o ex-presidente citou também medidas econômicas e tecnológicas de seu mandato.
"Você sabe que mesmo o Pix, por exemplo, ele foi gestado comigo no Banco Central e foi aplicado depois pelo presidente Bolsonaro, né? Mas na verdade muita coisa deixou de ser dita, porque, volto a dizer, o objetivo não era fazer algo elogiativo para o ex-presidente da República, mas algo que retratasse a verdade", explicou.
Questionado sobre a disputa eleitoral local na Bahia entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, Temer evitou projeções sobre a corrida majoritária, mas mencionou sua relação institucional.
"Não tenho um palpite aqui no estado. O Neto é um grande parceiro. Quando fui presidente da Câmara, das três vezes que presidia a Câmara dos Deputados, o Neto era líder, eu era membro da mesa, e sempre me auxiliou muitíssimo naquele período. Tenho muito apreço porele", reforçou Temer.


