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Congresso tensiona com Lula e impõe semana de derrotas ao governo

Presidente enfrenta difícil relação com Davi Alcolumbre

Cássio Moreira
Por
Flávio Bolsonaro comemora derrubada do PL da Dosimetria
Flávio Bolsonaro comemora derrubada do PL da Dosimetria - Foto: Saulo Cruz | Agência Brasil

O Congresso Nacional dobrou a aposta na tensão com o Palácio do Planalto ao impor duas derrotas consideradas históricas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um intervalo de menos de 24 horas: rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e derrubado do veto presidencial ao PL da Dosimetria.

As movimentações capitaneadas pela núcleo duro do bolsonarismo, sob a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Planalto, e pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocaram o governo em sinal de alerta.

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O debate eleitoral também foi 'antecipado' ao colocar em pauta, seis meses antes do pleito presidencial, dois dos principais atores da eleição, Lula e Flávio Bolsonaro, em evidência.

Enquanto a rejeição ao nome de Messias ao Supremo marcou pelo fato histórico, sendo o primeiro indicado em 132 a não passar pelo aval do plenário do Senado, a derrubada do veto colocou o governo em situação delicada.

Aliados avaliam

Aliada do governo Lula, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) criticou a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, classificando a posição da maioria do Congresso como um "absurdo".

Ao portal A TARDE, a parlamentar relembrou alguns dos fatos que levaram ao 8 de Janeiro, incluindo as acusações que culminaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), beneficiado com a redução de penas, e prometeu usar o 1º de maio, Dia do Trabalho, como espaço para protestar contra a decisão.

"O placar foi implacável, 140 votos, é algo absurdo diante de tudo que se viu, os prédios dos três poderes depredados, a República ameaçada, dois assassinatos planejados com provas nos autos, militares de alta patente presos, condenados, penas altas [...] Nós não podemos aceitar esse resultado como algo natural, é o uso de uma correlação de forças. Amanhã é 1º de maio e nós estaremos a gritar nas ruas sobre esse absurdo que é você chancelar tentativa de golpe de Estado e de derrubada do Estado Democrático de Direito", afirmou a deputada, ao ser questionada pelo portal A TARDE.

Ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro e pré-candidato ao Senado, João Roma (PL) comemorou, em contato com o portal A TARDE, a derrubada do veto.

Segundo Roma, o resultado expressa mais que uma derrota do Planalto, mas sim a busca de correções de "distorções".

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"Mais do que uma derrota do governo Lula, esse resultado expressa o sentimento de uma parcela significativa da população que não aceita decisões marcadas por dois pesos e duas medidas. O Brasil precisa de justiça equilibrada, não de revanchismo. O Congresso buscou corrigir distorções e trazer mais racionalidade ao sistema penal", defendeu Roma.

Como fica o governo?

Em ano de disputa presidencial, com tendência de repetição do cenário de polarização entre o presidente Lula e o bolsonarismo, os dois episódios podem gerar impactos na campanha eleitoral, para ambos os grupos.

O cientista político João Vilas Boas afirmou ao portal A TARDE que as vitórias do Senado e Congresso como um todos, nos dois últimos dias, indicam possíveis fragilidades do governo Lula, afetando uma das características mais marcantes do presidente, que é a de articulador.

"A rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto sobre a dosimetria dos ataques de 8 de janeiro de 2023 não são episódios isolados. Eles indicam um Congresso mais fortalecido e expõem falhas gritantes de coordenação política do governo de Lula. Em ano eleitoral, isso pode produzir impacto imediato na percepção pública, porque transmite a ideia de perda de controle interno e dificuldade de sustentar decisões estratégicas, afetando um dos principais atributos políticos do presidente, que é a capacidade de articulação", explicou.

"Para Flávio Bolsonaro, o valor está na construção narrativa, com duas grandes munições eleitorais. A revisão da dosimetria pode ser explorada como correção de excessos nas punições, enquanto a rejeição de Messias reforça a imagem de desorganização do governo. Ao conectar os dois episódios, ele pode sustentar uma mensagem simples e eleitoralmente eficaz: o governo Lula não consegue sustentar suas próprias decisões e tem dificuldades na governabilidade", completou o cientista político.

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