POLÍTICA
Congresso trava pautas de impacto e escala 6x1 fica para depois do recesso
Adiamento de votações é novo capítulo de crise entre Lula e Alcolumbre


A ‘guerra fria’ travada entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) e Luiz inácio Lula da Silva (PT), iniciada a partir da rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), tem impactado no andamento de pautas de interesse para o país.
O embate entre as duas figuras políticas ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 9, após o cancelamento da sessão do Congresso Nacional por falta de acordo.
Leia Também:
Tal postura que trava as discussões sobre temas considerados delicados e que podem impactar na disputa eleitoral que será iniciada na segunda quinzena de agosto, a exemplo da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que versa sobre o fim da escala 6x1.
A expectativa, segundo nomes ouvidos pelo portal A Tarde, é de que os temas só sejam debatidos após o fim do recesso parlamentar, com o risco do adiamento das votações para o período pós-eleições.
A última sessão antes do recesso acontece na próxima semana, em regime remoto, como tem acontecido recentemente.
O que está em jogo?
Entre as pautas em jogo, três despertam a atenção direta do Palácio do Planalto, por conta do impacto que pode causar nas eleições de outubro. São elas:
- PEC da Segurança Pública
- Fim da Escala 6x1
- Terras raras
Em entrevista ao portal A Tarde, o senador baiano Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, também aliado do presidente Lula, afirmou ter conversado com Davi Alcolumbre sobre a possibilidade de votação das matérias.
Eu já tinha conversado com o Davi (Alcolumbre) antes, ele não mostrou disposição de mandar as três principais pautas que deviam ser encaminhadas e são relevantes para o país
Otto Alencar
Otto pontuou que a CCJ não recebeu os textos para discussão. A discussão acerca das terras raras precisa passar, segundo o parlamentar, por outras comissões fixas antes da apreciação no plenário.
“São três matérias que foram aprovadas na Câmara e não chegaram na CCJ. A de terras raras tem que ir para a Comissão de Infraestrutura, talvez para a Comissão de Assuntos Econômicos [...] Essas três pautas importantes pararam”, destacou o parlamentar.
O também senador Angelo Coronel (Republicanos), hoje na oposição, seguiu a linha de Otto ao repercutir o adiamento das discussões, e sinalizou que as pautas só devem ser debatidas após o recesso, com risco de espera para o pós-eleições.
“Agora só na volta do recesso para saber o que ele vai pautar [...] Toda eleição tem isso, todos os anos de eleição temos essa paralisação, isso não é novidade nenhuma, não”, destacou Coronel.
Antecessora de Camilo Santana (PT) na liderança do governo Lula no Senado, a senadora Tereza Leitão (PT) respondeu aos questionamento do portal A Tarde sobre o andamento das pautas.
"Sobre a agenda legislativa, precisamos aguardar a definição do calendário e a construção dos acordos entre as lideranças para compreender quais matérias terão condições de avançar", afirmou a senadora, por meio de sua assessoria.
Embate Lula x Alcolumbre
Fontes consultadas em conversas recentes com o portal A Tarde confirmaram, sob anonimato, que a relação entre Lula e Alcolumbre, que ‘azedou’ desde a atuação do presidente do Senado para barrar o nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), tem atingido o andamento de tais pautas.
A mesma tese foi defendida por Otto Alencar, em entrevista ao portal A Tarde.
“Isso vem de um processo de desentendimento que surgiu lá atrás, quando foi rejeitado o nome do Messias, e isso desencadeou na dificuldade de conversa e entendimento do presidente Davi com o presidente Lula. Não são matérias de governo, são matérias de interesse do país”, afirmou o senador.
O portal A Tarde ainda procurou os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), lideranças do governo Lula no Senado e Congresso Nacional, mas não obteve retorno.


