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TAPEROÁ

Contrato de quase R$ 9 milhões é alvo de ação em prefeitura da Bahia

Denúncia aponta crescimento alarmante nos repasses de dinheiro público

Rodrigo Tardio
Por
Kitty Guimarães (Avante), prefeita de Taperoá
Kitty Guimarães (Avante), prefeita de Taperoá - Foto: Reprodução | Instagram

Um contrato milionário firmado entre a Prefeitura de Taperoá, baixo sul da Bahia, gestão da prefeita Christianne Mary Pereira Guimarães, conhecida como Kitty Guimarães (Avante), e a empresa 'Vida Vitória Ltda' tornou-se alvo de uma severa disputa jurídica. Uma Ação Popular movida por um cidadão contesta a legalidade do Contrato nº 095/2023, destinado à prestação de serviços de locação de veículos com motorista.

A denúncia aponta um crescimento alarmante nos repasses de dinheiro público: o acordo, que inicialmente previa um gasto global de R$ 3.028.332,68, já acumula pagamentos que somam R$ 8.838.428,30 entre os exercícios de 2023 e 2026.

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A ação judicial pede a anulação imediata do contrato sob o argumento de proteger o erário e garantir a moralidade administrativa. De acordo com a petição inicial, o processo licitatório foi "viciado" desde a origem e a execução atual dos serviços carece de transparência e fiscalização fiscalizatória elementar.

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Barreira na concorrência

As suspeitas de ilegalidade começam na fase interna do certame, o Pregão Eletrônico SRP nº 018/2023. O edital da prefeitura exigiu como requisito obrigatório de habilitação que as empresas concorrentes possuíssem inscrição no Conselho Regional de Administração (CRA).

A peça jurídica sustenta que tal exigência é impertinente e irrelevante para o objeto contratado — o aluguel de automóveis e fornecimento de condutores —, tendo servido unicamente para afastar potenciais competidores e ferir o princípio constitucional da ampla competitividade. A denúncia ganha peso com o apontamento do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/BA), que indicou a ausência do devido respaldo ou atesto da assessoria jurídica do município em relação ao contrato que veio a ser celebrado.

Escalada de gastos

O que mais chama a atenção na contabilidade do contrato é a evolução geométrica dos pagamentos através de sucessivas renovações. No ano de largada, em 2023, foram despendidos R$ 951.008,77. No ano seguinte, 2024, o valor saltou para R$ 3.111.029,40, atingindo o pico em 2025 com o repasse de R$ 4.081.115,42. No corrente ano de 2026, os registros já apontam pagamentos de R$ 695.274,71.

O montante acumulado de R$ 8,8 milhões coincide com o valor atribuído à causa pelo autor. Para a acusação, o fato de os pagamentos registrados estarem em patamar significativamente superior ao valor originário do contrato, sem justificativa plausível, fundamenta o pedido de intervenção do Judiciário.

Apagão de fiscalização

A inicial da ação detalha o que classifica como graves falhas na liquidação de despesas e um completo "apagão" na fiscalização contratual. Segundo o documento, o município vem pagando as faturas sem exigir elementos básicos que comprovem a real circulação dos veículos, tais como relatórios de viagens ou diários de bordo. As notas fiscais emitidas não trariam a especificação correta dos serviços e faltariam dados cruciais como o nome e CPF dos motoristas, além de placas, modelos e chassis dos carros utilizados.

Existe ainda o alerta para o risco de responsabilização trabalhista e previdenciária. Sendo um contrato de natureza predominantemente de mão de obra, a prefeitura deveria reter pagamentos até a comprovação de que a Vida Vitória Ltda quitou os salários e encargos de seus funcionários, prática que supostamente não ocorre, expondo o município a futuras condenações solidárias na Justiça do Trabalho.

Pedidos liminares

Para conter o que define na petição como "sangria nos cofres públicos", o autor pede medidas liminares urgentes que obrigam a prefeitura a realizar uma nova licitação em até seis meses e a apresentar toda a documentação de vistoria da frota.

À empresa Vida Vitória Ltda, é requerida a exibição imediata da folha nominal de condutores, chassi dos veículos e certidões de regularidade previdenciária.

Os pedidos visam sanar o imbróglio jurídico sem interromper o serviço de transporte essencial à população. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Taperoá e a empresa citada não haviam emitido posicionamento oficial sobre o caso. O espaço permanece aberto para as manifestações de defesa.

Projeto de Lei e suspeitas em concurso

Em fevereiro deste ano, o centro do debate que mobilizou a cidade foi o Projeto de Lei (PL) encaminhado pela Prefeitura à Câmara Municipal, propondo uma severa atualização no Estatuto do Magistério Público Municipal, sob a gestão da prefeita Christianne Mary Pereira Guimarães, a Kitty Guimarães (Avante).

O que a administração apresentou como modernização, no entanto, acendeu um sinal de alerta e trouxe à tona uma preocupação latente na categoria: a fragmentação da carreira entre os profissionais.

O ponto de atrito: categoria unida contra a divisão

A proposta do Executivo focou na reestruturação do plano de carreira, mas carregou uma ressalva que dividiu opiniões: as novas regras valeriam apenas para os recém-convocados do último concurso público. Para os professores que já dedicam décadas ao município, a medida soou como uma estratégia de divisão da classe.

Em um movimento de forte simbolismo, os docentes veteranos decidiram se posicionar ao lado dos novatos, exigindo que a valorização não seja seletiva.

"A educação de Taperoá é uma só. Não podemos aceitar que o futuro da categoria seja construído sobre a desidratação de direitos históricos ou a criação de abismos salariais entre colegas que dividem a mesma sala de aula", afirmou uma das lideranças do movimento, sob condição de anonimato.

Estrutura remuneratória

A mudança proposta pela Prefeitura alteraria profundamente a lógica da folha de pagamento local. Em vez de um vencimento base que cresce de forma linear, a remuneração dos futuros servidores passaria a ser composta por um modelo que a gestão classifica como um "ecossistema de incentivos financeiros". Na prática, a estrutura proposta prevê:

  • Vencimento básico, ajustado estritamente ao Piso Nacional vigente.
  • Valores por desempenho, formação continuada e tempo de serviço, porém sob novos critérios de avaliação.
  • Parte da composição salarial atrelada diretamente a indicadores educacionais do município.

O PL agora tramita nas comissões temáticas da Câmara de Vereadores. O sindicato da categoria e grupos independentes de professores prometem vigília constante nas sessões para garantir que a atualização do Estatuto não signifique perda de direitos a longo prazo.

Denúncias de favorecimento

Para além do embate legislativo, a gestão municipal enfrenta outra crise: supostas irregularidades no recente concurso público do município. O certame, que deveria garantir o acesso democrático ao serviço público, tornou-se alvo de uma série de questionamentos após um candidato denunciar, via redes sociais, indícios de favorecimento a pessoas ligadas à atual gestão.

De acordo com o denunciante — um professor que participou do processo seletivo —, causou "estranheza" o fato de candidatos com vínculos políticos diretos terem obtido as maiores pontuações. A repercussão do caso tomou proporções regionais, gerando dúvidas sobre a lisura e a imparcialidade da banca organizadora e da administração local.

Candidatos apontam o que chamam de "desproporcionalidade" nos resultados, caracterizada por um número incomum de pontuações máximas atribuídas em fases específicas do certame. De acordo com um cruzamento de dados realizado por opositores e participantes, a maioria desses candidatos de topo mantém, atualmente, vínculo de contrato temporário com a própria administração municipal.

A coincidência levantou a suspeita de que o concurso estaria sendo utilizado como mecanismo de "efetivação" para quem já compõe a gestão atual, o que, se comprovado, configuraria desvio de finalidade e grave ferimento ao princípio constitucional da igualdade.

Falhas na transparência

Além das suspeitas sobre as notas, o processo é criticado pela falta de clareza. Candidatos relatam dificuldades severas no acesso a informações oficiais e critérios de correção considerados obscuros. De acordo com as reclamações formais, a organização do concurso não teria oferecido respostas satisfatórias aos recursos e dúvidas que vieram à tona durante as etapas da seleção.

"O objetivo é garantir igualdade de condições para todos", afirmou o autor da denúncia nas redes, que confirmou já ter protocolado representações junto aos órgãos competentes (como o Ministério Público) para que o caso seja apurado com rigor.

Sobre o contrato das locações de veículos, a reportagem procurou a prefeita Kitty Guimarães, e aguarda resposta aos questionamentos.

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contrato milionário Fiscalização de contratos Gastos públicos Licitação irregular Taperoá

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