IMPACTO FINANCEIRO
Contrato de R$ 7 milhões sem licitação é alvo de nova auditoria na Bah
Auditoria questiona legalidade de contratação de escritório de advocacia

Um contrato milionário firmado pela Prefeitura de Mirangaba voltou ao centro das discussões no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA). A Corte abriu uma apuração para investigar a regularidade de um processo de inexigibilidade de licitação, datado de 2017, gestão do ex-prefeito Adilson Almeida do Nascimento, que resultou na contratação do escritório Ramos e Barata Advogados Associados pelo valor de R$ 7,1 milhões.
De acordo com o termo de ocorrência, o objeto da contratação era a prestação de serviços jurídicos especializados para a recuperação de valores do antigo Fundef e a correção de repasses do Fundeb — ações de alto impacto financeiro que buscam reaver verbas federais para a educação municipal.
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Suspeitas e defesa
A auditoria do tribunal levantou dúvidas sobre a viabilidade da contratação sem licitação. Os auditores sugerem a necessidade de aprofundar a análise para verificar se os critérios de "notória especialização" e "singularidade do serviço" foram devidamente atendidos, conforme exige a lei.
Diante do risco de sanções, o conselheiro determinou que o escritório Ramos e Barata Advogados Associados seja incluído no processo como terceiro interessado. A medida visa garantir o direito constitucional à ampla defesa, permitindo que a empresa apresente justificativas antes que o TCM profira o julgamento final.
Histórico
O contrato foi assinado há sete anos e, desde então, é alvo de monitoramento devido às vultosas cifras envolvidas. Se a Corte de Contas identificar irregularidades na celebração do acordo, os gestores responsáveis poderão ser punidos com multas e o ressarcimento de valores aos cofres públicos.
O processo segue em tramitação e ainda não há data definida para o julgamento do mérito.
Condenação
Em setembro de 2024, o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) julgou irregulares as contas de repasses realizados pela Prefeitura de Mirangaba ao Centro Comunitário Social Alto Paraíso (CECOSAP) durante os exercícios de 2010 e 2011, gestão de Adilson Almeida do Nascimento e do presidente da entidade à época, Florisvaldo Francisco Amâncio Júnior.

De acordo com o órgão fiscalizador, a auditoria técnica identificou a ausência de comprovação de despesas no montante de R$ 1.757.570,68. A omissão viola as normas da Resolução TCM nº 1.260/08, que rege a prestação de contas de recursos públicos repassados a entidades privadas.
Irregularidades detectadas
Além do rombo financeiro, os conselheiros do tribunal apontaram outras falhas graves na execução das parcerias:
- Ausência de evidências sobre o destino final dos recursos
- ermos de parceria sem cláusulas essenciais para a fiscalização do repasse
- Falta de detalhamento: Inexistência de especificações sobre as fontes dos recursos e os objetivos a serem atingidos.
Punições e ressarcimento
O órgão determinou que Adilson Nascimento e Florisvaldo Amâncio Júnior devolvam, de forma solidária e com recursos próprios, o valor integral de R$ 1,75 milhão aos cofres municipais.
O ex-prefeito também foi penalizado com uma multa individual de R$ 20 mil, aplicada em razão das falhas formais constatadas no termo de parceria. Ambos os gestores ainda podem recorrer da decisão junto ao pleno do Tribunal
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