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Corte de R$ 200 bilhões pode eliminar 2,2 milhões de empregos no Brasil, diz secretário

Proposta de Flávio Bolsonaro foi criticada pelo secretário do Trabalho da Bahia

Iarla Queiroz
Por
| Atualizada em
Estudo do Dieese aponta que o corte de R$ 200 bilhões
Estudo do Dieese aponta que o corte de R$ 200 bilhões - Foto: Charles Vieira
Eleições 2026

A proposta de corte de aproximadamente R$ 200 bilhões em gastos públicos defendida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pode eliminar até 2,2 milhões de postos de trabalho no Brasil. A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em estudo divulgado nesta quinta-feira, 22, que também aponta uma possível redução de 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027.

Conhecida como “tesouraço”, a iniciativa foi criticada pelo secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos. Para ele, os impactos previstos exigem atenção diante dos possíveis efeitos sobre a renda das famílias e o mercado de trabalho.

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“Esse corte pode eliminar 2,2 milhões de empregos e redução no PIB. Isso significa menos arrecadação tributária, menos desenvolvimento econômico e menos oportunidades de trabalho. Como secretário do Trabalho, precisamos alertar a população para a gravidade dessas consequências”, afirmou.

Proposta pode afetar renda de famílias

Vasconcelos também destacou os riscos de uma eventual perda de postos de trabalho em um momento em que o Brasil registra a menor taxa de desemprego de sua série histórica.

“Estamos vivendo um momento importante para o mercado de trabalho, com o desemprego no menor patamar da história. Se esse corte prosperar, na prática, estamos dizendo que milhões de trabalhadores poderão perder suas oportunidades de sustento. São mães e pais de família que podem ficar sem renda, com consequências diretas para o aumento da pobreza e da desigualdade”, alertou.

Na avaliação do secretário, a proposta prioriza os interesses do mercado financeiro em detrimento das necessidades da população. Ele ponderou, porém, que a busca por eficiência na administração pública não deve justificar cortes em programas sociais essenciais.

“É óbvio que defendemos uma administração pública cada vez mais eficiente, com aperfeiçoamento da gestão e melhor aplicação dos recursos públicos. Mas isso não pode servir de justificativa para cortar programas sociais essenciais, que melhoram a vida das pessoas e garantem dignidade a milhões de brasileiros. Não se pode tratar o orçamento público como uma simples planilha, ignorando que por trás de cada corte existem trabalhadores, famílias e pessoas que dependem de renda para viver”, criticou.

Dieese aponta perdas de salários e arrecadação

Além da possível eliminação de 2,2 milhões de empregos, o estudo do Dieese estima que o chamado “tesouraço” pode reduzir a massa salarial em R$ 68,7 bilhões e a arrecadação tributária em R$ 46,8 bilhões.

A proposta de Flávio Bolsonaro prevê cortes de despesas públicas, redução de estruturas administrativas e revisão de benefícios. No entanto, segundo as informações apresentadas no estudo, não há detalhamento de como cada medida contribuiria para alcançar a economia de R$ 200 bilhões.

O levantamento também alerta para o risco de desaceleração da atividade econômica, com possíveis efeitos sobre o consumo e as receitas do governo. Nesse cenário, a redução de despesas poderia ser acompanhada por uma queda na arrecadação, dificultando o equilíbrio das contas públicas.

Outro ponto levantado é o peso dos juros sobre a dívida pública. Segundo a análise apresentada, a proposta não enfrenta diretamente esse fator, considerado decisivo para a trajetória do endividamento do país.

Secretário defende debate antes das eleições

Ao comentar os possíveis efeitos da proposta, Vasconcelos defendeu que os eleitores conheçam as consequências das medidas econômicas antes de escolher seus representantes.

“A classe trabalhadora precisa estar bem informada para escolher que tipo de representante quer para o país. Esse debate precisa chegar à sociedade, porque estamos falando de empregos, renda e dignidade. Não podemos aceitar que os interesses de bancos e bilionários estejam acima dos direitos e das necessidades da maioria do povo brasileiro”, concluiu.

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