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"Tesouraço" de Flávio Bolsonaro cortará 2,2 milhões de empregos

A proposta econômica do candidado do PL reduz o crescimento econômico previsto para 2027

Carla Melo
Por
O “tesouraço” foi proposto pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL)
O “tesouraço” foi proposto pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: Andressa Anholete | Agência Senado

O “tesouraço” proposto pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), que promete um corte de R$ 200 bilhões no Orçamento, pode eliminar 2,2 milhões de postos de trabalho e provocar um impacto negativo equivalente a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

A expectativa faz parte de um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que será divulgado nesta quinta-feira, 22, e foi publicado pelo UOL.

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De acordo com a entidade, mantida por centrais sindicais trabalhistas, pode resultar em uma redução no crescimento econômico previsto para 2027. Com os cortes de pessoal e consequentemente de gastos, apontado pelo estudo, a massa salarial cai para R$ 68,7 bilhões e a arrecadação de impostos em R$ 46,8 bilhões no ano que vem.

De acordo com o Dieese, a queda na receita consumiria cerca de 40% da economia bruta obtida com os cortes, o que, na avaliação do instituto, comprometeria o próprio objetivo fiscal anunciado pela campanha.

Como a equipe econômica do candidato ainda não detalhou as medidas, o Dieese partiu da hipótese de congelamento das despesas primárias em termos reais, corrigidas apenas pela inflação estimada de 4,5%.

Cortes nos principais setores

O Dieese calcula cortes acumulados de R$ 175,4 bilhões em 18 meses. Ao acrescentar a meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões prevista para 2027, o instituto chega a um esforço fiscal de R$ 194 bilhões, equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB.

Como não há detalhes sobre quais despesas seriam cortadas caso o candidato seja eleito, o Dieese construiu uma distribuição hipotética do ajuste, atribuindo 51% às transferências de renda (Previdência, abono salarial, seguro-desemprego e BPC, o Benefício de Prestação Continuada), 17% às despesas com pessoal e 32% às demais despesas.

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A composição pesa no resultado. Com base em multiplicadores fiscais calculados pelo Ministério da Fazenda, o estudo considera que cada R$ 1 em transferências de renda gera R$ 2,68 no PIB, contra R$ 0,74 dos gastos com pessoal. Por isso, as transferências responderiam por 79% da perda estimada de R$ 203,1 bilhões na atividade econômica.

Cenário otimista x cenário pessimista

Além do cenário-base de crescimento zero, o Dieese simulou duas trajetórias para a economia brasileira em 2027. No otimista, que usa o crescimento de 2,46% previsto na PLOA, o ajuste reduziria a expansão da economia para 0,91% em 2027. Seriam criados 1,14 milhão de postos de trabalho, abaixo dos 1,33 milhão necessários por ano para absorver o crescimento da população economicamente ativa, o que faria o desemprego subir.

No cenário pessimista, baseado na projeção de 1,4% do Boletim Focus, do Banco Central, o PIB recuaria 0,15%, levando o país à recessão. Haveria perda líquida de cerca de 271 mil vagas e um déficit superior a 1,5 milhão de oportunidades em relação à demanda por tra

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