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Dayane registra boletim de ocorrência contra Eduardo Bolsonaro após imagem com alvo em sua cabeça

Publicado às | Atualizado em 13/09/2021, 18:53 | Autor: Luiz Felipe Fernandez
Foto: Agência Câmara I Divulgação
Foto: Agência Câmara I Divulgação -
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A deputada federal Dayane Pimentel (PSL-BA) registrou um boletim de ocorrência contra Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, que compartilhou uma foto da parlamentar com a imagem de um alvo em sua cabeça. Em conversa com o grupo A TARDE, a ex-bolsonarista disse ainda que pretende levar o caso, que entendeu como uma "ameaça", ao Conselho de Ética na Câmara e também vai entrar com uma representação no Ministério Público Federal (MPF).

"Vou usar todos os recursos jurídicos para me defender e resguardar", afirmou a deputada, que disse não ter sido "surpreendida" com a publicação ofensiva de Eduardo, que a chamou de "traidora nível hard", pois esse é a conduta do clã Bolsonaro.

Mesmo não sendo um fato inusitado para o deputado, a professora de Feira de Santana (BA) diz que é "amedrontador" ser colocada com um possível "alvo", sobretudo se pesada a suspeita de relação da família com milicianos. Ela destacou que também é comum ao grupo ser ainda mais agressivo com as mulheres, mas que só agora sofrendo diretamente "na pele" consegue compreender a gravidade dos atos.

"Esse tipo de confronto que eles estimulam, sobretudo contra as mulheres, é um perfil cotidiano...mas quando é na nossa pele, assusta ainda mais", relatou.

Rompida com Bolsonaro desde 2019, quando se incomodou com a interferência do presidente para que o filho Eduardo ocupasse a cadeira da presidência do PSL na Câmara, em uma tentativa de tomar o controle da sigla. Atualmente, ela faz oposição ao governo já chegou apoiou publicamente o impeachment do presidente.

Logo após a eleição em 2018, conta Dayane, começaram a vir à tona as ligações de Jair e seus filhos com a milícia no Rio de Janeiro. Adriano da Nóbrega, apontado como um dos líderes do "Escritório do Crime", foi condecorado duas vezes por iniciativa de Flávio Bolsonaro, então deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nos anos 2000. A ex-mulher do antigo policial morto em Esplanada, na Bahia, em confronto com a polícia, foi nomeada em 2007 no gabinete de Flávio, na época em que Fabrício Queiroz comandava o esquema de "rachadinha".

"As primeiras informações que comecei a ligar a família Bolsonaro e às milícias começaram a sair após a eleição de 2018. Claro que, enquanto convivíamos juntos, sempre negavam essa ligação, mas todos os inídicos apresentados pelo MP, a gente começa a entender que é uma ligação que realmente existe. Talvez seja apenas uma relação política, mas ninguém vai arriscar saber até que ponto é essa relação, para dizer que não tem medo, principalmente quando você é transformada em alvo", justifica a parlamentar, que faz uma "analogia" com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

"Eles podem até não defender abertamente a milícia, mas está muito claro que defendem milicianos, e amedronta, principalmente quando vemos o caso de Marielle, fazemos essa analogia. O objetivo deles é justamente esse: calar a nossa voz", acrescenta.

A motivação do ataque de Eduardo à Dayane nesa segunda-feira foi a participação dela e do seu esposo, o ex-vereador de Salvador e Secretário de Gabinete da Prefeitura, Alberto Pimentel, no ato contra Bolsonaro em São Paulo no último domingo, 12. A baiana chamou a atenção por ser a escolhida em meio a tantos outros políticos, inclusive lotados no estado.

"Eu notei que pelas postagens que a família fez, que a presença da deputada Dayane Pimentel na manifestação na Paulista incomodou muito eles. Fui a figura criticada por eles, tínhamos políticos conhecidos nacionalmente, senadores, deputados do próprio estado de São Paulo, mas ficaram muito incomodados porque não têm discurso contra mim. Sou uma deputada neófita, faço tudo da forma mais correta, sou combativa, não estou à venda, não podendo me confrontar nas narrativas, por isso recorrem às ameaças", aponta.

A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, composta pela Coordenadoria dos Direitos da Mulher e pela Procuradoria da Mulher, emitiu uma nota em repúdio à públicação de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, em que lamenta a "postura recorrente" do parlamentar. A entidade ressalta que apesar da Constituição Federal garantir o direito à liberdade de expressão, é preciso estar ciente de que crimes "contra a honra ou ameaça à vida, seja no ambiente físico ou virtual", estão sujeitos à responsabilização nas esferas civil e penal.

"A Constituição Federal deixa claro que a liberdade de expressão serve para proteger a manifestação do pensamento, a atividade artística, intelectual, científica e todo o debate essencial para a construção de um Estado democrático, excluindo-se qualquer manifestação lesiva contra a vida e/ou honra de terceiros [...] a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados reforça sua posição em defesa dos avanços alcançados por meio de políticas públicas de proteção para as mulheres e afirma que não poupará esforços para combater quaisquer ações de violência, seja por palavras ou ações, de crimes de ódio e torpeza que busquem ofuscar os recentes anos de conquistas sociais alcançados pelas mulheres.", diz a nota.

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