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FHC critica Lula por não intermediar entre Uruguai e Argentina

Publicado terça-feira, 31 de julho de 2007 às 23:24 h | Atualizado em 31/07/2007, 23:24 | Autor: Agência EFE
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que o Governo brasileiro deveria ser mais firme e atuante na intermediação de conflitos no Mercosul, como a disputa entre Uruguai e Argentina sobre a construção de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países.



"É difícil opinar em abstrato sobre o tema, e minha inclinação é de que o Brasil deve ajudar. É a nossa tradição, e o Governo está ali para ajudar. Por que o Governo brasileiro não interveio mais fortemente, eu não sei", criticou, numa conferência no Palácio Legislativo do Uruguai, sede do Parlamento.



FHC garantiu que, se ele estivesse conduzindo a política externa brasileira, "teria intermediado nas tensões entre uruguaios e argentinos". Ele afirmou que estaria "buscando uma solução dentro do espírito do Mercosul".



Na sua opinião, "o Brasil deveria ter uma presença mais forte", uma vez que "a solução deve surgir do Mercosul".



"É preciso desenvolver esta área e respeitar o meio ambiente simultaneamente, o que pode ser feito", disse, acrescentando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tem mais informações" sobre o caso.



Durante a conferência "América Latina: Integração, Fragmentação ou Conflito?", o líder tucano lembrou que no passado havia uma impressão de que todos os povos da região se integrariam. "Agora, vemos que somos todos diferentes e que cada um procura seu caminho para se integrar ao mundo", comparou.



Na opinião de FHC, "os países estão mais diversificados que antes, há mais fragmentação e surgiram inconformidades com a globalização e a democracia". Para ele, o desafio atual "é tomar decisões que permitam uma melhor adaptação à internacionalização" e buscar, além disso, "um caminho realista".



Fernando Henrique Cardoso defendeu uma busca de formas de resolver os conflitos. Na sua opinião, é preciso um entendimento para a região, por sua importância continental.



Ele criticou ainda os bloqueios nas pontes entre cidades do Uruguai e da Argentina. "É um tremendo erro, para dizer o mínimo.



São países irmãos, são vizinhos. Não posso sequer compreender como isso pode acontecer", disse.



"Francamente, não vejo de que forma o Uruguai tenha ferido os fundamentos do espírito do Mercosul ou em que a construção prejudique os vizinhos", disse o ex-presidente à platéia uruguaia.



"Basta ler o Tratado de Montevidéu para ver que não se podem tomar decisões unilaterais em certas matérias, como está acontecendo", apontou.



A ponte General San Martín, entre Fray Bentos e Gualeyguachú, está fechada desde meados de novembro do ano passado. Ela é bloqueada por ambientalistas que protestam contra a construção da fábrica de celulose da finlandesa Botnia, na margem uruguaia.

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