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Há cinco horas depondo, Cardozo diz que nada teme sobre campanha de 2010

Publicado quarta-feira, 15 de julho de 2015 às 20:45 h | Atualizado em 19/11/2021, 06:54 | Autor: Daiene Cardoso e Daniel Carvalho | Estadão Conteúdo
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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse em depoimento na CPI da Petrobras que não tem nenhum temor que as investigações da Operação Lava Jato coloquem sob suspeita a arrecadação da campanha presidencial de Dilma Rousseff de 2010. Cardozo, que integrou a coordenação de campanha, elogiou o ex-tesoureiro da campanha, o secretário de Saúde da cidade de São Paulo e ex-prefeito de Diadema José de Filippi Júnior.

"Filippi sempre foi uma pessoa honrada", afirmou. Cardozo já está na CPI há cinco horas depondo.

Em sua avaliação pessoal, é preciso ter comedimento na discussão que surge no meio jurídico sobre se doações ilegais de campanha eleitoral poderiam ensejar situações criminosas se tiverem origem ilícita. "Se eventualmente uma empresa pratica lá uma falcatrua qualquer e doa este dinheiro para alguém sem que este alguém tenha participado ou saiba disso, da origem do dinheiro, ele não pode ser responsabilizado, estava de boa fé", concluiu.

"Não podemos nunca culpar alguém sem a demonstração inequívoca de que soubesse ou de que participou da obtenção do dinheiro ilegalmente drenado a uma campanha eleitoral sob pena de sermos absolutamente injustos em relação a punições", completou.

Questionado sobre críticas que vem recebendo de seu partido e de políticos investigados na Lava Jato, Cardozo disse que é legítimo que algumas pessoas estejam insatisfeitas, mas que enquanto tiver na vida pública, não tem a intenção de receber aplausos e que continuará agindo dentro da lei e de acordo com sua consciência. "Se isso merecer aplausos ou vaias, não me importo, o que me importa é dormir tranquilo", declarou.

O ministro evitou abordar o andamento das investigações sobre as escutas ilegais encontradas na sede da PF em Curitiba. Parlamentares perguntaram sobre a possibilidade de a ilegalidade contaminar e inviabilizar a Operação Lava Jato. Cardozo enfatizou que a sindicância está em andamento e que é preciso ter prudência antes de concluir se há envolvimento de delegados que participam da operação.

Cardozo defendeu a autonomia da Polícia Federal e disse que liberdade de investigação é garantia do estado democrático. "Precisamos aperfeiçoar cada vez mais essa autonomia", afirmou.

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