CULTURA
Jerônimo critica falta de investimento em cultura no governo Bolsonaro
Governador destacou o impacto da desvalorização do setor cultural nos últimos anos

Por Beatriz Santos e Edvaldo Sales

Nesta sexta-feira, 16, foi realizada a cerimônia de entrega das chaves do Palacete Saldanha, na Praça da Sé, em Salvador, para a instalação de uma nova unidade da CAIXA Cultural Salvador. O evento conta com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do presidente da CAIXA, Carlos Vieira, além de outros representantes.
Durante a agenda, Jerônimo destacou o impacto da desvalorização do setor cultural nos últimos anos e apontou o ex-presidente Jair Bolsonaro como responsável por enfraquecer a área.
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“O ex-presidente Jair Bolsonaro destruiu a estrutura e tirou orçamento. Então foi preciso que o presidente Lula resgatasse o Ministério. E agora, de forma responsável, estamos colocando a cultura no eixo, organizando um sistema nacional e vendo o que é que os estados têm por obrigação de cuidar dentro das leis”, disse.
Para o governador, o cenário enfrentado pela cultura foi além de cortes e atingiu diretamente a gestão pública da área. “Não foi só parar de investir: foi além de não colocar orçamento, foi destruir, por exemplo, o Ministério. Ou seja, cortaram a cabeça da cultura, que é o órgão gestor e organizador”.
Ele também argumentou que, sem coordenação nacional, os estados atuam de forma desarticulada. “E os estados, quando não têm a nação, quando não têm o governo federal organizando, acabam fazendo o que querem, sem que a gente possa ter uma orquestra”.
O governador também criticou a ideia de que investir em cultura é um gasto desnecessário. “A ministra Margareth, essa semana, postou uma foto com o chapéu, fazendo a matemática financeira da cultura. E às vezes, ninguém quer fazer isso. Porque a cultura é sempre vista como despesa, como uma coisa cara”.
Em seguida, reforçou a defesa do setor: “A cultura é cara? Olha, caro é um povo sem cultura. E nós ficamos, além de tudo, num período em que não tivemos nenhum tipo de investimento na cultura brasileira”.
Jerônimo ainda citou a retomada de ações federais voltadas à estruturação do setor e ao orçamento. “Aqui nós temos deputados federais, deputados estaduais e senadores que organizam uma lei. E o Lula disse que vai colocar a cultura no orçamento”.
Com a nova unidade em Salvador, a expectativa é que o Palacete Saldanha passe a integrar o conjunto de equipamentos culturais mantidos pela CAIXA no país. Jerônimo afirmou compreender a presença da instituição em outros estados, mas ressaltou o interesse em avançar com o projeto na capital baiana.
“A Caixa tem outros equipamentos de cultura fora da Bahia, eu entendo isso. Mas o nosso desejo era que pudéssemos inaugurar esse prédio, esse equipamento, ainda este ano", afirmou.
Segundo ele, a entrega do espaço acontecerá em etapas. “Nós combinamos que a entrega vai ser faseada: primeira fase, segunda fase, terceira fase. A Caixa já integra isso nesse desenho. Mas o importante é que nós estamos retomando esses equipamentos físicos da Bahia”.
Ao comentar a importância da retomada, Jerônimo ampliou o olhar para além da capital e citou a presença de espaços culturais em outras cidades. “Esse patrimônio que nós temos aqui, por exemplo, não é só aqui em Salvador. Vai de Cachoeira, vai de Santo Amaro, de Lençóis… Existem equipamentos espalhados por toda a Bahia — e no Brasil também”.
A cerimônia no Centro Histórico marca o início de uma nova etapa para o Palacete Saldanha, agora destinado à instalação da CAIXA Cultural Salvador, em meio ao discurso de retomada de investimentos e reorganização do setor cultural no país.
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