ARTICULAÇÃO POLÍTICA
Lula nomeia deputado petista como novo ministro; entenda a escolha
Posto está vago desde o dia 3 de abril, quando Gleisi Hoffmann deixou o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná

O deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, foi escolhido nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o próximo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso. A ideia é que ele seja anunciado já na segunda-feira, 13.
O posto está vago desde o dia 3 de abril, quando Gleisi Hoffmann deixou o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná. A ex-ministra comentou a decisão:
“A indicação pelo presidente Lula do deputado José Guimarães para a SRI é o reconhecimento de seu grande trabalho na liderança do governo. É a garantia de que teremos uma articulação política com amplo respeito no Congresso, capaz de fazer um diálogo à altura dos grandes desafios do país”, escreveu ela em suas redes sociais.
A decisão por José Guimarães foi tomada após consulta do governo ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Um dos fatores que pesou na escolha foi o fato dele ser líder do governo desde o início do início deste mandato de Lula, em 2023, tendo a memória da relação do Planalto com o Congresso, de forma que ele poderá dar continuidade ao trabalho da antecessora.
Conheça José Guimarães
Deputado federal em seu quinto mandato, Guimarães é um nome influente no PT e chegou a ser cotado para presidir o partido. Ele ficou conhecido em 2005, quando era deputado estadual e seu assessor foi preso no aeroporto de Congonhas (SP) com US$ 100 mil escondidos na cueca e R$ 209 mil numa mala de mão. A Justiça Federal encerrou o processo em 2021.
Leia Também:
José Guimarães é um nome próximo a Hugo Motta, além de também ter proximidade com líderes do centrão e com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Segundo informações da Folha de S.Paulo, interlocutores do governo avaliam que Guimarães é um nome confiável para o cargo. Ele não dá "cavalo de pau", define um integrante da cúpula do Legislativo.
Outro fator que pesou a favor de Guimarães seria sua boa relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o que torna-se mais relevante quando se observa que a relação de Alcolumbre com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Senado, segue desgastada.
José Guimarães planejava concorrer ao Senado pelo Ceará, chegando a apresentar pesquisas ao Planalto para argumentar que o PT poderia garantir mais um senador caso ele concorresse. No entanto, Lula insistiu na indicação dele, oficializando o convite na última quinta-feira, 9.
Outros nomes cogitados
Antes de José Guimarães, Lula queria nomear para o cargo o secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Olavo Noleto, mas desistiu da decisão após ressalvas de líderes do Congresso por conta da falta de experiência do secretário.
Noleto já ocupou diversos cargos em gestões petistas, mas nunca exerceu um mandato eletivo, como de deputado ou senador. Segundo interlocutores, Lula gostou do perfil de Noleto, mas avaliou que o cargo requer um nome com experiência na política cotidiana e com conhecimento sobre o equilíbrio de forças do Congresso.
Com a desistência, o presidente passou a procurar um articulador mais experimentado. A partir daí, foram cogitados os nomes do senador Otto Alencar (PSD-BA) e do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, vistos como figuras leais ao governo, mas com bom trânsito no centrão.
Otto Alencar negou a possibilidade, já que planeja se reeleger senador pela Bahia, além de alegar questões de saúde como um empecilho para assumir a SRI. Por sua vez, Wellington preferiu focar na campanha de reeleição do presidente Lula.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



