POLÍTICA
Master: críticas de Lula a Toffoli deixam bolsonaristas desconfiados
Oposição vê manobra para blindar aliados na 1ª instância

A postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no contexto da investigação sobre o Banco Master, tem intrigado lideranças bolsonaristas.
Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmam desconfiar das reais intenções de Lula ao demonstrar incômodo e fazer críticas públicas indiretas ao magistrado.
Declaração em evento oficial
Na semana passada, Lula criticou quem defende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi feita durante discurso em um evento do governo federal em Maceió (AL).
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou o presidente. “E tem gente que defende, porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, completou.
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Interpretação da oposição
Para lideranças bolsonaristas, de acordo com o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Lula estaria “jogando Toffoli aos leões” por dois motivos principais. O primeiro, segundo essa leitura, seria pressionar o ministro a enviar o caso envolvendo o Banco Master para a primeira instância da Justiça.
Na avaliação da oposição, o presidente estaria preocupado com a possível citação de aliados petistas nas investigações, conforme revelou o portal Metrópoles, na coluna de Andreza Matais.
De acordo com as reportagens, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria solicitado ao Banco Master a contratação dos ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski.
Para bolsonaristas, a remessa do processo à primeira instância poderia interessar ao governo por, na visão deles, resultar em tramitação mais lenta das investigações, o que reduziria impactos políticos para o PT em ano eleitoral.
Possível disputa por vaga no STF
Integrantes da oposição também veem um segundo interesse por trás das críticas: o desgaste de Toffoli, de olho em uma eventual indicação de substituto ao STF, caso o ministro deixe a Corte.
Parlamentares bolsonaristas já protocolaram no Senado pedidos de impeachment contra Toffoli. Aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), porém, avaliam que as chances de o processo avançar são remotas.
Versão de aliados de Lula
Aliados do presidente, por sua vez, afirmam que o incômodo de Lula com o caso decorre da avaliação de que a crise pode enfraquecer o STF — cenário que não interessaria ao governo.
Segundo essa leitura, diante da falta de maioria sólida no Congresso, o Judiciário tem sido um dos pilares de sustentação institucional do terceiro mandato de Lula.
Além da governabilidade, o Supremo é visto por aliados do presidente como peça-chave na resistência ao que classificam como avanço de posições autoritárias no país.
Lula foi o responsável pela indicação de Dias Toffoli ao STF. A relação entre os dois, no entanto, teria se desgastado desde 2019, quando o ministro negou autorização para que o então ex-presidente deixasse a prisão para comparecer ao velório de um irmão.
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