Ministério Público aponta 24 pontos que ligam Crivella a suposto esquema criminoso

Publicado terça-feira, 22 de dezembro de 2020 às 16:28 h | Atualizado em 22/12/2020, 16:34 | Autor: Da redação

Promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontaram 24 pontos que, de acordo com o órgão, ligam o prefeito preso nesta terça, Marcelo Crivella, a uma suposta organização criminosa. Segundo os promotores, Crivella não tinha apenas conhecimento sobre o esquema de desvios de recursos e lavagem de dinheiro em curso na Prefeitura do Rio, mas também participava ativamente dele através de decisões tomadas.

Na denúncia oferecida pelo Ministério Público à Justiça, os promotores afirmam que, mesmo sem terem qualquer cargo oficial junto ao empresário Rafael Alves, o ex-tesoureiro de campanha, Mauro Macedo de Crivella e o ex-presidente do partido do prefeito, Eduardo Lopes, atuavam na administração municipal para defender os interesses da organização criminosa.

Os três personagens são peças fundamentais dos 24 pontos apresentados pelo MP. São eles:

Depoimento do colaborador Paulo Roberto de Souza Cruz, que revelou o pagamento de antecipação de propina a Mauro Macedo.

Nomeação de Marcelo Alves como presidente da Riotur, que seria o cumprimento de um acordo feito, ainda durante a campanha eleitoral, com o empresário Rafael Alves, irmão de Marcelo.

Permissão da utilização da sede da Riotur como um “quartel general da propina”.

Livre atuação de Rafael Alves dentro da Riotur, que permitiu direcionar licitações e fraudar contratos.

Troca de mensagens entre Rafael Alves e o doleiro Sérgio Mizrahy sobre uma operação de lavagem de dinheiro que deveria ser entregue ao “zero um”, uma clara referência ao prefeito.

Intimidade de Marcelo Crivella com Rafael Alves, comprovada pela presença do prefeito em festas de aniversário da filha do empresário, além de caminhadas matinais juntos no condomínio onde o prefeito mora.

Registros de mensagens por aplicativo entre o prefeito e o empresário Rafael Alves - várias delas fazem parte da investigação.

A existência de um “inegável” esquema de corrupção para burlar os pagamentos do Tesouro Municipal.

Pagamentos milionários para empresas com a interferência de Rafael Alves.

Localização de documentos assinados pelo prefeito que autoriza a antecipação de pagamentos para empresas comprovadamente pagadoras de propina para a organização criminosa.

Indicação feita por Rafael Alves para o cargo de subprefeito da Barra da Tijuca, acatada por Crivella.

Indicação para o cargo da Previ-Rio pelo empresário, também acatada pelo prefeito.

Permissão do prefeito para que Rafael Alves participasse de reuniões estratégicas com a alta cúpula da administração municipal.

Decisão do prefeito de impedir a demolição da casa do senador Romário, construída em área irregular, a pedido de Rafael Alves.

Decisão do prefeito, também a pedido do empresário, para interferência no resultado do carnaval de 2018, quando o prefeito redigiu carta à Liesa pedindo para que nenhuma escola fosse rebaixada.

"Postura complacente" de Crivella diante de mensagens de Rafael Alves ameaçando romper o que havia sido acordado entre eles.

Mensagem de Rafael Alves afirmando ter conhecimento do esquema de corrupção, além de ter provas que comprovariam o envolvimento do ex-tesoureiro de campanha, Mauro Macedo.

Mensagem de Rafael Alves dizendo que não tinha interesse em cargos na prefeitura, mas de retorno do investimento feito em acordo com o prefeito antes do início do mandato.

A existência de ostensivos esquemas de corrupção instalados dentro da Previ-rio e da Riotur.

Troca do número de telefone do prefeito Marcelo Crivella por pelo menos três vezes durante as investigações.

Mensagens de Rafael Alves explicitando insatisfação com os espaços da prefeitura e indicação de ter conhecimento de fatos gravíssimos envolvendo o prefeito, a família dele e a igreja.

Ligação de Marcelo Crivella para Rafael Alves no momento em que policiais cumpriam mandado de busca e apreensão na casa do empresário quando deflagrada a operação Hades.

Mensagem enviada por Marcelo Crivella a Rafael Alves desejando boa viagem quando o empresário seguia para Miami para se encontrar com Arthur Soares para tratar da capitação ilícita de valores.

Mensagem telefônica fornecida pelo ex-secretário da casa civil da prefeitura, Paulo Messina, em que fica clara a interferência pessoal e direta de Marcelo Crivella para o pagamento a uma empresa, mesmo com a decisão contrária dos secretários de Fazenda e da Casa Civil.

O Ministério Público disse que a Prefeitura do Rio fazia pagamentos a empresas por conta da propina mesmo "em situação de penúria" e que o valor arrecadado pela organização criminosa chega a R$ 50 milhões.

As informações são do site G1.

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