POLÍTICA
Oposição pode complicar PT ao Senado? Entenda cenário
Do lado governista na Bahia, há três nomes para duas vagas; na base oposicionista, definições são poucas

Por Yuri Abreu

A escolha pelos nomes que vão compor as chapas governista e de oposição ao Senado pela Bahia, em 2026, segue a todo vapor, ainda que faltem menos de nove meses para o pleito e um período menor para as convenções partidárias — entre 20 de julho e 5 de agosto.
Do lado da situação, o cenário segue de indefinição, com três nomes fortes para duas vagas: os já senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Angelo Coronel (PSD-BA), além do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Os três, em diversas entrevistas, já declararam que tem pretensão de concorrer a um mandato na chamada Câmara Alta. A questão é que esse desejo esbarra em uma questão simples: a Bahia vai eleger, esse ano, dois parlamentares.
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Há quem defenda, de um lado, a formação de uma chapa "puro-sangue", com nomes apenas do PT. Assim, a formação ficaria com Jerônimo Rodrigues (PT) — concorrendo à reeleição ao governo do Estado —, além de Jaques Wagner e Rui Costa, estes ao Senado.
Neste arranjo, o pessedista ficaria de fora. No entanto, Coronel já sinalizou que não abre mão de tentar um novo mandato, seja de forma independente ou até mesmo migrar para a base de oposição, liderada hoje por ACM Neto (União Brasil).
Alternativa?
Na terça-feira, 6, antes da posse do conselheiro Gildásio Penedo Filho na presidência do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), o governador Jerônimo Rodrigues sugeriu uma solução para esse impasse.
Ela seria, por exemplo, acomodar Angelo Coronel na suplência de Rui ou de Wagner. O petista afirmou que, apesar do imbróglio, o grupo político do qual faz parte terá maturidade para decidir.
"Podemos, quem sabe, concentrar esforços, seja dentro da própria chapa de suplência, seja dentro de ocultação nos focais. Eu acho que o próprio Wagner já registrou isso, o desejo de poder dividir o tempo com Coronel ou com o Rui [...] Vamos ter que apreciar. Tenho muita confiança no presidente do PSD, Otto Alencar, na maturidade que nós temos tratado", afirmou Jerônimo.
Otto fala em "momento sensível"
Já um dos principais nomes da política baiana, o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da sigla no estado, disse publicamente, pela primeira vez, que vive um momento político sensível à frente do partido diante da formação da chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Ontem, também durante o evento no TCE-BA, o parlamentar afirmou que se sente pressionado pela necessidade de defender os interesses da sigla, mas sem romper relações com o PT na Bahia.
O congressista afirmou que não conversou sobre o tema com Rui, Wagner e Jerônimo. Porém, declarou que essa definição não pode ficar restrita a uma única sigla, citando a aliança com PT, PCdoB, PSB e outros partidos que integram a base do governo estadual.
“Não conversei nem com ele, nem com o Wagner, nem com o Rui [...] Todos precisam ser ouvidos, não só o PSD. Os partidos aliados também precisam ser ouvidos”, disse Otto Alencar.
Sinais trocados?
Na noite de segunda-feira, 5, o governador Jerônimo Rodrigues publicou uma foto, em seu perfil no Instagram, em que aparece ao lado de Rui e Wagner, aumentando os rumores de que, de fato, o trio petista faria a composição da chapa majoritária para outubro.
Contudo, em entrevista na terça-feira, 6, Wagner afirmou que ele e Coronel iriam concorrer à reeleição, sem citar, no caso específico, o nome de Rui Costa. No entanto, o senador, além de não cravar em qual lado Coronel estaria no pleito de outubro, disse ser legítimo que os três tenham pretensão de disputar a eleição ao Senado.
O efeito Roma
Do outro lado, na base oposicionista, alguns nomes tem sido especulados para formar a chapa majoritária ao lado de ACM Neto, que anunciou a sua pré-candidatura ao Governo da Bahia em evento no final de 2025.
Entre eles estão o ex-ministro João Roma (PL) e o ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos). Conforme fontes ouvidas pelo Portal A TARDE, no entanto, o republicano teria poucas chances de se alçar como candidato à Câmara Alta.
Roma, por sua vez, caso confirme que vai disputar o pleito ao Senado — ele lançou a sua pré-candidatura ao governo da Bahia —, teria o poder de desidratar a campanha de um dos petistas.
"Há projeções que apontam que Rui teria 35% das intenções de voto ao Senado e Roma, 25%. Aí são 60%. Como ficariam divididos os outros 40% caso os candidatos de lá sejam Wagner e Coronel?", questionou um interlocutor.
Disputa acirrada
Outra fonte pontuou que caso Coronel e Roma, de fato, formem a chapa oposicionista, isso tornaria a eleição ao Senado mais disputada do que o esperado, isso levando em conta os pleitos que escolheram dois nomes à instituição.
Para ter uma noção, em 2018, Wagner e Coronel tiveram uma eleição tranquila — juntos, eles tiveram mais de 9 milhões de fotos, uma distância grande sobre o terceiro colocado.
A mesma situação se repetiu em 2010 — na eleição de Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) —, como em 2002, com ACM e César Borges, ambos no extinto PFL, atual União Brasil.
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