CASO CODEVASF
PF encontra transações entre 'laranjas' de deputado do PL
Fraudes envolvendo verbas da Codevasf estão sendo apuradas



A Polícia Federal (PF) encontrou transações financeiras entre empresas que são alvos de duas investigações paralelas. Uma delas investiga supostas fraudes envolvendo verbas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), enquanto a outra apura um esquema de desvio de emendas parlamentares que teria sido comandado pelo deputado federal licenciado Josimar Maranhãozinho (PL-MA).
As investigações mostram que uma empresa que tem o congressista como sócio formal e outra onde ele é apontado como dono oculto, fizeram repasses a construtoras ligadas ao empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP ou Eduardo Imperador, preso no último dia 20 em ação da PF. Na operação, dezesseis mandados de prisão, com apreensão de cerca de R$ 1,3 milhão em dinheiro e itens luxuosos, foram cumpridos. O empresário foi solto três dias depois.
Relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras analisados pelos investigadores mostram que a Construtora Madry, que pertence formalmente ao congressista, transferiu R$ 100 mil para a E. R. Distribuição de Asfalto, que tem Eduardo DP como sócio oculto.
A investigação ainda encontrou repasses de ao menos R$ 215 mil da Águia Farma, empresa da qual o deputado é suspeito de ser sócio oculto, para a Construservice, empreiteira pivô de investigações sobre fraudes com verbas da Codevasf. As empresas estariam registradas em nome de laranjas do deputado, uma delas sua empregada doméstica.
O investigado é filiado ao mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro (PL) e, após a revelação de casos como o da Codevasf, o mandatário passou a adaptar o discurso sobre corrupção de seu governo. A estatal federal foi entregue por Bolsonaro ao controle do centrão em troca de apoio político.