POLÍTICA
PF suspeita que estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA é bancada por Vorcaro
Investigação apura se recursos enviados para filme sobre Jair Bolsonaro


A Polícia Federal passou a investigar a suspeita de que recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro possam ter sido utilizados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.
Segundo a investigação, os valores teriam sido enviados por meio da empresa Entre Investimentos e Participações para um fundo sediado no Texas. Oficialmente, o dinheiro seria destinado à produção do filme “Dark Horse”, longa sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações da Folha, a suspeita da PF é de que o fundo possa ser controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. Agora, os investigadores tentam esclarecer se os recursos foram integralmente usados na produção cinematográfica ou se parte da quantia acabou direcionada para despesas pessoais do ex-parlamentar nos EUA.
Filme sobre Bolsonaro entrou no radar da investigação
O caso ganhou força após reportagem do site The Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido recursos a Vorcaro para financiar o longa.
De acordo com as informações divulgadas, o ex-banqueiro teria desembolsado R$ 61 milhões para o projeto. Um áudio de setembro de 2025 ainda mostraria Flávio cobrando novos repasses para a continuidade da produção.
O senador confirmou ter buscado apoio financeiro privado para o filme, mas negou qualquer irregularidade ou troca de favores.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou.
Flávio também declarou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, não existiam acusações públicas contra o empresário.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou o senador, que ainda afirmou apoiar a CPI do Banco Master.
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Produtora nega recebimento de recursos
Apesar das suspeitas investigadas pela PF, a produtora Go Up Entertainment afirmou que não recebeu repasses do empresário para a realização do filme.
O produtor-executivo do projeto e ex-deputado federal Mário Frias também negou que os recursos tenham chegado à produção.
Eduardo Bolsonaro é réu no STF
Morando nos Estados Unidos desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro responde a uma ação no Supremo Tribunal Federal sob acusação de coação no curso do processo de forma continuada.
A denúncia aponta que o ex-deputado teria atuado para buscar sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras numa tentativa de interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.
A acusação foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República em setembro de 2025 e aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em novembro do mesmo ano.
Na época, Eduardo classificou a acusação como “fajuta” e atacou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, chamando-o de “lacaio” do ministro Alexandre de Moraes. A defesa sustenta que não houve violência nem grave ameaça nas ações atribuídas ao parlamentar.


