POLÍTICA
PF: Porto Seguro recebeu R$ 25 milhões ilegais para reeleger Jânio Natal
Município baiano foi o que teria recebido maior repasse ilegal de Valdemar Costa Neto


O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, teria destinado emendas parlamentares ilegais para a cidade de Porto Seguro, no sul da Bahia, como apontam investigações da Polícia Federal (PF). Os repasses aconteceram em um momento que Valdemar estava sem nenhum mandato eletivo.
De acordo com as investigações da PF, o presidente nacional do PL destinou R$ 119 milhões em emendas parlamentares para 21 municípios administrados por gestores do mesmo partido ou aliados, sendo 11 deles em São Paulo. Os valores foram registrados entre os anos de 2024, 2025 e 2026.
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De todos os municípios que participaram do esquema, Porto Seguro foi o que recebeu a maior emenda: R$ 24.999.298. O prefeito da cidade baiana, Jânio Natal, é do mesmo partido de Valdemar Costa Neto.
As indicações irregulares de emendas ocorriam com a participação de servidores da Câmara dos Deputados, segundo investigações.
Entenda o esquema
A Polícia Federal apurou que funcionários da liderança do Partido Liberal entravam em contato com uma servidora responsável pelo registro das emendas e solicitavam a inclusão das indicações de recursos em nome de Valdemar Costa Neto.
Em uma mensagem descoberta pelos investigadores, Garigham Amarante Pinto, apontado como interlocutor direto de Valdemar, procurou a servidora Mariângela Fialek para saber se as indicações foram formalizadas.
Bloqueio
Na última sexta-feira, 10, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens que estão em nome de Valdemar Costa Neto. Dino ressaltou que o ex-deputado não tem direito à indicação de emendas.
“A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”, afirmou o ministro.
Em nota à imprensa, a defesa de Valdemar Costa Neto disse que a decisão de Dino foi tomada a partir de “premissas frágeis e inferências subjetivas”. Os advogados também afirmaram que o presidente do PL não cometeu crime.


