CASO MASTER
Polícia Federal quer Vorcaro na Interpol por financiamento a Dark Horse
Intenção seria rastrear as movimentações financeiras do ex-banqueiro fora do país
A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na lista de difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional utilizado para rastrear e localizar patrimônios, contas e movimentações financeiras de investigados fora do país.
Diferentemente da difusão vermelha, usada para localizar foragidos, a chamada “difusão prateada” tem foco patrimonial e busca facilitar a cooperação entre países para identificar, bloquear e eventualmente confiscar bens vinculados a investigações criminais.
Leia Também:
Caso a medida seja formalmente solicitada pela PF, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aceita pelas autoridades dos Estados Unidos, investigadores avaliam que o mecanismo poderá alcançar cerca de R$ 61 milhões enviados por Vorcaro a um fundo norte-americano ligado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ativos no exterior e Dark Horse
Segundo reportagem do "O Globo", a utilização da ferramenta integra uma estratégia mais ampla da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que aguardam informações que podem ser fornecidas por Vorcaro nas negociações de delação premiada, iniciadas em março deste ano.
Investigadores suspeitam que o ex-banqueiro ainda mantém ativos financeiros no exterior não identificados pelas autoridades brasileiras. A avaliação interna é que eventuais recursos localizados poderiam ajudar a compensar prejuízos ligados às investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Outro foco das investigações envolve recursos remetidos aos Estados Unidos relacionados ao fundo que recebeu recursos para financiar o filme Dark Horse. Segundo investigadores, uma das hipóteses analisadas é que parte desses valores possa ter sido usada para custear despesas ligadas à permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no exterior, o que ele nega.
Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que aguarda definições jurídicas sobre o avanço das investigações.
“Agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes”, declarou em entrevista à GloboNews.
Tramitação das investigações
Atualmente, PF, PGR e STF discutem em qual investigação o caso deverá tramitar: se no inquérito das fraudes do Banco Master, relatado pelo ministro André Mendonça, ou na investigação relacionada à atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A chamada difusão prateada é um mecanismo recente da Interpol e começou a ser testado em 2025. O sistema permite que países participantes compartilhem informações financeiras, identifiquem ativos em seus territórios e auxiliem autoridades estrangeiras no rastreamento e eventual bloqueio patrimonial.