Polícia Federal prende Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação

Ribeiro é acusado de gerenciar esquema de corrução durante sua gestão à frente do MEC

Publicado quarta-feira, 22 de junho de 2022 às 09:15 h | Atualizado em 22/06/2022, 09:40 | Autor: Da Redação
Milton Ribeiro deixou MEC após se envolver em polêmica com liberação de recursos do FNDE
Milton Ribeiro deixou MEC após se envolver em polêmica com liberação de recursos do FNDE -

A Polícia Federal prendeu preventivamente na manhã desta quarta-feira, 22, o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, durante incursão da operação "Acesso Pago", que investiga o esquema de corrupção envolvendo pastores evangélicos durante sua gestão à frente do MEC.

Ribeiro foi preso em sua casa na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, e deve ser transferido para Brasília ainda nesta quarta, onde passará por audiência de custódia.

A prisão do ex-ministro foi determinada pelo juiz federal Renato Borelli e lista os crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

Além do mandado contra o ministro, outros 13 mandados de busca e apreensão e outros quatro mandados de prisão, incluindo contra pastores envolvidos no esquema de tráfico de influência para a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), estão sendo cumpridos. 

“A investigação iniciou-se com a autorização do STF em razão do foro privilegiado de um dos investigados”, informou a PF em nota.

O caso

Em um áudio divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo em março, o ainda ministro da Educação afirmou priorizar repasses da pasta para determinadas prefeituras por pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). 

"Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do pastor Gilmar. A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em seguida, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", declarou Ribeiro revelando a existência de um suposto gabinete paralelo dentro do MEC, já que os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos não possuíam cargos oficiais no governo.

A partir daí, prefeitos de diversas cidades do Brasil começaram a denunciar o esquema. De acordo com eles, os pastores Moura e Santos exigiam pagamentos entre R$ 15 a 40 mil para liberar o repasse de verbas.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu em defesa do ministro ao dizer que "botaria a cara no fogo" por Milton e que estariam fazendo uma "covardia" com seu ministro. Mesmo com a defesa, Milton Ribeiro não durou muito no cargo e foi exonerado no fim de março por conta da pressão.

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